SOLIDARIEDADE
Fé que transforma vidas
Da assistência humanitária à educação: como igrejas de várias vertentes mobilizam voluntários para combater a fome e promover a cidadania em Alagoas
A fé tem sido um dos principais motores de ações sociais que impactam diretamente a vida de milhares de alagoanos. Em diferentes denominações religiosas, voluntários dedicam tempo, conhecimento e solidariedade para desenvolver projetos voltados ao combate à fome, à educação, à saúde, à inclusão social e ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em Alagoas, iniciativas ligadas à Igreja Adventista do Sétimo Dia, à Igreja Católica Apostólica Romana, à Igreja Batista e à Assembleia de Deus mobilizam centenas de voluntários e atendem desde crianças e idosos até famílias inteiras que enfrentam dificuldades financeiras.
A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), braço humanitário da Igreja Adventista do Sétimo Dia, atua em mais de 110 países e mantém uma filial em Alagoas desde 2022. A instituição iniciou suas atividades no estado atendendo vítimas de alagamentos e enchentes e, atualmente, desenvolve projetos voltados ao combate à fome, à insegurança alimentar, ao incentivo à leitura, à redução da evasão escolar, à saúde preventiva e à empregabilidade.
Segundo a diretora regional da ADRA Alagoas, Carla Fontes, cerca de 70 voluntários participam das ações da instituição. Atualmente, a organização possui 120 famílias cadastradas e atende aproximadamente 400 pessoas, tendo como principais públicos mulheres, crianças e idosos.
“Aqui em Alagoas, todo o trabalho da ADRA funciona com a força do voluntariado. Eles doam tempo, talentos e amor para servir às pessoas. Os voluntários transformam vidas e também acabam sendo transformados”, afirmou.
AMOR AO PRÓXIMO NA PRÁTICA
Na Arquidiocese de Maceió, uma das iniciativas de destaque é a Missão Faça-se, criada para atender famílias em situação de vulnerabilidade social. O projeto nasceu a partir da observação das dificuldades enfrentadas por moradores de comunidades carentes e se inspirou no exemplo de Santa Dulce dos Pobres.
O fundador da missão, Gildeam dos Santos, conta que o trabalho começou com a distribuição de sopa nas comunidades e foi crescendo ao longo dos anos. Atualmente, a iniciativa realiza doações de cestas básicas e roupas, além de atividades voltadas para crianças. Cerca de 20 voluntários participam das ações, que atendem mensalmente entre 50 e 60 famílias.
Entre as histórias que mais marcaram a trajetória do projeto, ele relembra visitas a famílias em situação de extrema vulnerabilidade, como a de uma mãe que criava sete filhos e tinha apenas uma panela de arroz para alimentar a família. A missão também atuou junto a famílias atingidas por enchentes. “É realizar o Evangelho com a vida”, resumiu Gildeam ao falar sobre a importância do voluntariado cristão.
O EXEMPLO BATISTA
A Primeira Igreja Batista de Maceió também desenvolve projetos sociais. Entre eles está a Escola Pastor Albérico Souza, no bairro do Farol, que atende 75 alunos do Jardim II ao 5º ano do Ensino Fundamental e oferece atendimento odontológico para todas as crianças matriculadas. A igreja ainda distribui mensalmente cestas básicas para cerca de 40 famílias em Maceió, Capela e Quebrangulo e apoia o Projeto Cristolândia, voltado ao acolhimento de pessoas em situação de rua e de homens em situação de dependência química.
Segundo o pastor Jonathan, mais de 100 pessoas, entre funcionários e voluntários, participam das ações. Uma das histórias mais marcantes para a igreja foi a transformação de Naldo, ex-acolhido do Cristolândia, que conseguiu reconstruir a vida após passar pelo projeto.
TRANSFORMAÇÃO QUE ALCANÇA MILHARES
Na Assembleia de Deus em Alagoas, o trabalho social é desenvolvido por meio do Centro Assistencial Educacional Evangélico Missionário Otto Nelson (Caemon), que atua nas áreas de assistência social, educação e saúde.
Entre os projetos estão o Projeto Musical Otto Nelson, com aulas de instrumentos musicais e formação para orquestra, além de cursos de Libras e iniciativas de inclusão digital. Cerca de 15 voluntários participam das ações, que atendem mais de duas mil pessoas por ano.
A instituição destaca, como resultados, a inserção de alunos do Projeto Musical Otto Nelson no mercado de trabalho, inclusive em filarmônicas, além da realização de mais de sete mil casamentos coletivos ao longo de sua história.