JULGAMENTO
Policial militar vai a júri por assassinato de enfermeira em Penedo
José Maxuel Lemos Simões é acusado de matar Ana Beatriz Cavalcante por não aceitar o fim do relacionamento
O policial militar José Maxuel Lemos Simões foi pronunciado a júri popular no começo deste mês pelo assassinato da enfermeira Ana Beatriz Cavalcante, ocorrido no município de Penedo, interior de Alagoas, em 12 de dezembro do ano passado. A defesa dele recorre da decisão.
O crime aconteceu na residência da vítima, que foi morta com um tiro na cabeça após o acusado não aceitar o término de um relacionamento de dez anos. A decisão judicial determina que o réu responda por homicídio qualificado e feminicídio perante o Tribunal do Júri.
A decisão de pronúncia foi proferida após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público, que fundamentou a acusação com base em provas colhidas durante o inquérito policial. O magistrado Lucas Lopes Dória Ferreira, responsável pelo caso, manteve a prisão preventiva do militar, alegando a inexistência de mudanças no cenário fático que autorizassem a sua liberdade. A medida atende aos pedidos formulados pelo Ministério Público e pela autoridade policial logo após o crime.
No dia do fato, o corpo da enfermeira, de 29 anos, foi localizado em sua casa com sinais de violência. Equipes de investigação, coordenadas pelo delegado Esron Pinho, encontraram os quartos do imóvel revirados. O local passou por perícia técnica para auxiliar na elucidação da dinâmica do assassinato e na coleta de vestígios.
Relatos de testemunhas indicam que, logo após o crime, o policial militar se dirigiu a um bar da região. No local, conhecidos do suspeito teriam tentado contê-lo, mas ele conseguiu deixar o ambiente em seu veículo particular. A fuga terminou na zona rural de Penedo, nas proximidades do povoado Peixoto, onde ele bateu o carro, que ficou destruído.
Informações colhidas pela polícia apontam que Simões teria sido resgatado por um carro não identificado antes da chegada das autoridades.
Ana Beatriz Cavalcante era profissional de um hospital particular em Penedo e filha de um empresário conhecido na região. No ambiente de trabalho, a enfermeira era descrita por colegas como uma servidora dedicada ao cuidado dos pacientes e pautada pela ética profissional. O crime causou comoção na comunidade local, onde a vítima e sua família possuíam vínculos sociais e empresariais.