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ENTRE 2000 E 2019

Alagoas registrou mais de mil mortes associadas a ondas de calor em 20 anos

Levantamento da Fiocruz com base em dados oficiais mostra que os idosos são os mais penalizados

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Estresse térmico pode sobrecarregar sistema cardiorrespiratório
Estresse térmico pode sobrecarregar sistema cardiorrespiratório | Foto: AGÊNCIA ALAGOAS

Alagoas registrou 1.038 mortes atribuídas a ondas de calor entre os anos de 2000 e 2019, de acordo com o estudo "Saúde e ondas de calor no Brasil: mortalidade, morbidade e implicações para o SUS no Brasil", desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O levantamento utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) para identificar o impacto de eventos climáticos extremos no território alagoano durante duas décadas, apontando que a exposição ao calor atua como um estressor biológico capaz de comprometer mecanismos como a termorregulação e o equilíbrio hidroeletrolítico. O fenômeno atinge diferentes grupos populacionais, sendo os idosos os mais afetados pelas anomalias térmicas registradas no estado.

A distribuição dos dados mostra que a mortalidade atribuível ao calor em Alagoas concentra-se na população com idade igual ou superior a 65 anos, que somou 794 óbitos no período analisado. Na faixa etária entre 0 e 64 anos, o número de mortes estimadas foi de 176. Em relação às causas específicas registradas pelos sistemas de saúde, 350 mortes foram associadas a doenças cardiovasculares e 178 a doenças respiratórias no estado. Fisiologicamente, o estresse térmico pode sobrecarregar o sistema cardiorrespiratório e exacerbar condições pré-existentes, o que explica a sensibilidade desses grupos de doenças às elevações de temperatura.

A metodologia aplicada para chegar a esses números baseou-se em um desenho epidemiológico chamado estudo de caso-cruzado (case-crossover), que compara a exposição climática no dia do óbito com dias de controle no mesmo mês, ano e município. “A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade. De modo geral, o trabalho reforça evidências já descritas na literatura, mas avança em análises mais detalhadas sobre os impactos do calor extremo na saúde da população brasileira”, destaca a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, responsável por conduzir o estudo.

No contexto do Nordeste, Alagoas apresenta uma das menores frações atribuíveis ao calor na região, com 0,35% do total de mortes gerais ligadas a esses eventos climáticos. Esse percentual é superior apenas ao da Paraíba (0,3%). Outros estados nordestinos registram frações mais elevadas, como o Maranhão (0,95%) e o Piauí (0,85%). A Bahia contabiliza o maior volume absoluto de mortes na região, com 6.171.

No cenário nacional, os registros de Alagoas integram o total de 119.643 mortes atribuídas ao calor em todo o Brasil durante o período estudado. O impacto absoluto em Alagoas é inferior ao de estados mais populosos e com diferentes regimes climáticos, como São Paulo, que registrou 30.813 mortes, Rio de Janeiro (13.448) e Minas Gerais (12.509). O estudo ressalta que as regiões Norte e Centro-Oeste tendem a apresentar ondas de calor mais longas, enquanto o Sul e o Sudeste registram eventos de maior intensidade em relação à média térmica local, o que influencia a variação dos riscos de mortalidade entre as unidades da federação.

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