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Censo mostra condi��o social do jovem

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Outra adolescente que teve de fazer opção logo cedo entre estudo e trabalho foi Maria Mírian da Conceição, 18, que começou a trabalhar fora de casa, em Barra de Santo Antônio, município a 47 Km de Maceió. Mírian sustenta uma família de 10 pessoas, todos na roça. Hoje ela está trabalhando na Capital, mas de 15 em 15 dias leva a maior parte do ganho, um salário mínimo, para a família. Na casa apenas sua mãe recebe uma pensão do marido. ?Não vivi minha adolescência porque fui obrigada a me virar na vida logo cedo para sustentar minha família. No começo ganhava pouco, mas agora pelo menos já ganho um pouquinho melhor?- diz, conformada. Para agravar a situação, o irmão mais velho de Mírian está desempregado e foi morar na casa da mãe dela com 5 filhos e a esposa. Ciclo da pobreza O economista Edmilson Veras atribui o resultado do Censo em relação aos jovens como um produto da condição social a que eles, em sua maioria, estão submetidos. ?Esses jovens estão na situação que denominamos de ciclo de pobreza. Ou seja, a sua reprodução social dificilmente ascenderá socialmente porque sua escolaridade é baixa, a possibilidade de prosseguir estudando também é baixa e obviamente a renda não dará para que eles supram as suas necessidades e muito menos o da família que sustentam?. E enfatiza: ?Esse jovem mora mal, normalmente numa área de risco, na periferia, e ainda pode ser cooptado pelos vícios e pelo tráfico, devido ao estado de risco e pela natureza do seu trabalho que, em boa parte, está intimamente ligado à rua?, adverte. Edmilson explica que o fato de o adolescente chefiar suas famílias pode também estar ligado ao fenômeno chamado de ?migração dos pais?, especialmente no caso da Região Nordeste. Isso ocorre, segundo o pesquisador, porque muitos pais saem de casa ou são obrigados a sair para trabalhar no Sul ou Sudeste e deixam a mulher e os filhos pequenos. Então muitos não voltam ou se separam, e os filhos têm ou são obrigados a ajudar ou arcar com as despesas da casa para a sobrevivência. ?O ideal seria que o Estado assumisse essas famílias, dando condições de liberar esses jovens para o estudo e o lazer. Evidentemente que para isso acontecer, a família teria que ter um programa de renda mínima que efetivamente atendesse as principais carências delas. Infelizmente, isso ainda está muito longe de acontecer, porque o que esses programas pagam é apenas a ponta do iceberg?, salienta Veras. Fatores Para o coordenador do Grupo Especial de Combate ao Trabalho Infantil da Delegacia Regional do Trabalho em Alagoas (DRT-AL), José Gomes, o fato de o jovem assumir o papel de chefe de família se deve a dois fatores: casamento precoce e aqueles que por motivos de separação dos pais (migração ou morte) assumem o papel de arrimo de família, sendo obrigados a assumir logo cedo as despesas da casa. ?O que temos feito é capacitar esses jovens através dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), priorizando os arrimos de famílias para sua preparação no mercado de trabalho, tentando conscientizá-los, na medida do possível, do esforço para que tentem estudar. Em relação aos que casam precocemente, atribuímos a distúrbios de comportamento social, especialmente no interior do Estado, o que motiva para que eles sejam forçados a assumir o papel de chefe?, justifica Gomes. Entre os Estados, Alagoas é o 6º do Nordeste com maior número de crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos chefiando a família. No Nordeste, 13,2% dos adolescentes trabalham. A Bahia vem em primeiro com 27.151 domicílios sustentados por eles. Domicílios O número total de domicílios no Estado chefiados por adolescentes é maior que a população (habitantes) dos municípios de Barra de São Miguel (6.379); Santa Luzia do Norte (6.388); Campestre (6.223); Belém (5.919); Jaramataia (5.788); Jacaré dos Homens (5.720); Coqueiro Seco, Minador do Negrão (5.399); (5.134); Jundiá (4.680); Mar Vermelho (4.078) e Feliz Deserto (3.836). Sobre o perfil do adolescente no País, o Unicef divulgou que 63% desses jovens trabalham sem carteira assinada, metade deles está fora da escola e que 69,3% estão localizados na zona urbana. O Brasil é hoje um País com 21.249.557 adolescentes; 41% deles concluíram o ensino fundamental; 33% dos adolescentes de 15 a 19 anos freqüentam o ensino médio e 2.232 milhões estão fora da escola. Na opinião de 42% dos adolescentes, para acabar com a pobreza o governo deve gerar empregos. E 86% acham que o Brasil é muito violento.

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