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Corpo de Bombeiros “pega fogo” em AL

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Quem chama o Corpo de Bombeiros não imagina que já existe um ?incêndio? a ser apagado dentro do próprio quartel. A tropa está em pé de guerra, dividida em dois grupos por causa da farra das promoções denunciadas esta semana pelo Ministério Público (MP). Como o estopim de uma bomba de efeito retardado, o caso do hoje subtenente Carlos César Cândido da Silva é apontado como a origem da série de desmandos que provocou um efeito cascata com mais de 50 promoções irregulares. O problema foi engatilhado no concurso para sargento de 1995, começou a explodir sete anos depois e abala as estruturas da corporação até hoje. Na época, o então soldado Cândido foi reprovado em duas provas do Teste de Aptidão Física (TAF) porque não conseguiu fazer os exercícios de barra fixa nem de subida na corda. Em 2002, ingressou no curso de habilitação de cabo (por tempo de serviço), mas não precisou nem se formar. ### Coronel admite existência de ?incêndio? O atual comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Jadir Ferreira, admite que existe um ?incêndio? a ser controlado na corporação por causa do questionamento das promoções, mas descarta a necessidade de uma sindicância interna para apurar as denúncias. ?O Ministério Público já adotou as providências e o que posso fazer agora é aguardar que elas cheguem aqui, vamos esperar pela Justiça, também não vejo necessidade de nenhum procedimento na corregedoria?, resume o coronel. O comandante destaca que determinou a imediata suspensão do curso de oficiais, há quinze dias, antes mesmo da ação na Justiça, mas evita comentar se as promoções são ilegais ou mesmo imorais. ?A comissão (CPOP) é um conselho colegiado, com autonomia para tomar decisões e fez uma avaliação interpretativa dos casos, só lamento que isto tenha vindo à tona na minha gestão?, comenta Jadir, frisando que não estava no comando quando aconteceram as promoções em 2003 e 2006. ### Coronéis pareciam ?semideuses? Para o promotor, os quatro coronéis da CPOP atuavam como ?semideuses onipotentes? que se reuniam para beneficiar apadrinhados e parentes reprovados no concurso público realizado em 1996. De acordo com as denúncias, o então soldado e hoje subtenente Cândido tinha uma grande amizade com Jair Cordeiro, que o apadrinhava, e também era protegido dos demais coronéis da comissão. Com base na brecha encontrada, candidatos inaptos no TAP ou mesmo reprovados nos testes de conhecimento intelectual conseguiram a patente de sargento. Alguns ainda obtiveram a façanha, mesmo após a reprovação nas duas partes do concurso (física e intelectual). Mas nenhum deles se compara ao caso de um soldado, que além da dupla inaptidão, virou sargento sem nunca ter sido cabo. ### Promoções ratificadas ?ao arrepio da lei? Para o corregedor-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Jadson dos Santos, a farra das promoções é um episódio plenamente lamentável que poderia ser evitado. Na época, o oficial também fazia parte da CPOP e foi o único a tentar impedir as promoções, sendo voto vencido. ?Pelo entendimento do edital, vi que as promoções estavam ao arrepio da lei. Sempre avisei, nas reuniões, que isto daria problemas?, recorda o coronel. O corregedor afirma que o critério adotado pelo então comandante Jair Cordeiro foi de pura onipotência e os outros três coronéis da comissão agiram por corporativismo. ?Não creio que eles não tenham entendido que rasgaram a Constituição e que a decisão foi ao arrepio da lei, temos discernimento para isso?, observa Jadson. Mesmo assim, o oficial concorda com o comandante ao descartar a necessidade de um processo interno para apurar a conduta dos oficiais e dos promovidos na corregedoria. ### Cândido ataca os desafetos: ?Denunciei manobra deles? Apontado como um dos pivôs da crise, o subtenente Cândido afirma que o outro grupo está denunciando porque quer burlar a lei e induzir o comandante a adotar uma posição errônea. ?Estão fazendo isso porque eu denunciei uma manobra deles primeiro?, afirma. Cândido se defende atacando um grupo composto, segundo ele, por 19 subtenentes que estão contra a turma dele e estavam prestes a ser enviados para fazer o Curso de Habilitação de Oficial em Brasília, com direito a R$ 16 mil de diárias e 30% do soldo (cerca de R$ 1.200) para cada um. Segundo Cândido, seis deles já tinham sido indicados: ?Os subtenentes Silva Melo, Shirlane, Elias, Diana, Douglas e Feitosa, mas para fazer o curso, eles deveriam se submeter a uma prova técnica de seleção entre todos os subtenentes?. O militar afirma que o curso realizado em Brasília só é de um mês e dá a garantia da promoção, enquanto aqui em Maceió, as aulas durariam dez meses. ?Com a denúncia, eles perderam a estrela garantida (promoção para tenente), o passeio em Brasília e o dinheiro?. ///

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