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Crian�as v�timas de crimes na internet

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Era uma vez um reino encantado chamado internet. Na cobertura do prédio de dez andares, uma princesa de 11 anos descobre um portal misterioso. A magia do computador a transporta para um mundo distante... muito distante. Sem sair do alto da torre do castelo, a mocinha vive aventuras, conhece outros amigos e convive com novos heróis (afinal, o rei e a rainha sempre estão ocupados com seus afazeres). Percebe coisas esquisitas e até sente medo, mas pensa: ?Faz parte da emoção, quero mais?. O toque das teclas é poderoso, pode levá-la até o contato real, o toque físico. O dragão se disfarça de príncipe encantado para destruir o que a donzela tem de mais precioso: a pureza e a felicidade. Após os ataques de pedofilia on-line, as agressões se materializam com encontros marcados e planos de fuga. Num belo dia, o rei desgruda o mouse da mão da princesa e chega ao fundo do poço onde ela estava. Descobre tudo nos arquivos e sites, encontra fotos de crianças nuas, vídeos de estupros e masturbações, imagens de sexo anal e quadrinhos de super-heróis praticando o Kama Sutra. ### Achar criminoso é tarefa difícil, informa delegado Especialista no combate a crimes pela internet, o delegado da Polícia Federal Políbio Brandão explica que é mais difícil localizar este tipo de criminosos que se ocultam nos computadores. ?Por ser um meio virtual, complica um pouco, mas é possível prendê-los, porque os pedófilos são extremamente vaidosos e precisam veicular o material adquirido para outros pedófilos?, afirma o delegado Brandão. Após a CPI da Pedofilia, no ano passado, houve mudanças na legislação para punir com mais rigor o crime na internet e a percepção da sociedade para o problema também aumentou bastante. Com a Lei 11.829, o Estatuto da Criança e do Adolescente foi alterado, principalmente neste tema. A pena para prática virtual de pedofilia dobrou de quatro para oito anos. MG ### Pais limitam tempo de acesso à internet Mãe zelosa e pai coruja, os funcionários públicos Carlos Humberto e Maria Augusta Mendonça não deixam Beatriz passar mais do que 40 a 50 minutos por dia no computador. Mesmo assim, eles sabem as senhas dela e não deixam a filha de 11 anos acessar o Orkut. Já a vendedora de carros Elisângela Gomes foi mais radical, quando percebeu mudanças de comportamento e notas baixas do filho de 12 anos, que só vivia no computador: ?Cortei a internet!?. Antes da ?sentença? que mudou a rotina, inclusive dela e do marido, Elisângela adotou outras medidas de segurança para proteger o filho dos perigos da rede. ?Eu monitorava o MSN e o Orkut, todas as mensagens eram gravadas e passei a observar quem era fulano ou cicrano. Estipulei horários, coloquei senha para só ligar o computador comigo por perto, quando ele acessava os jogos on-line, perguntava quem era a pessoa do outro lado. Ele reclamava, mas um menino dessa idade não pode ter privacidade, principalmente dos pais?, conta. MG ### Técnicos ensinam como controlar acesso | SUMAIA VILELA * - Estagiária Como controlar o que meu filho acessa no mundo virtual? Essa é uma pergunta que, se até agora não faz parte da sua lista de preocupações, figura na mente de milhões de pais preocupados e empreendedores com visão de mercado no Brasil e no mundo. E a tendência é que as famílias estejam cada vez mais ligadas no que acontece no interior desse emaranhado de chips e sites. Pelo menos é esse o conselho de Carlos Alfredo Menezes, analista de suporte técnico, e Petrúcio Barros, gerente de Tecnologia da Informação, que listaram para a Gazeta alguns procedimentos eficazes para impedir que as crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdos inapropriados. É crucial que os pais saibam lidar com o computador. Não é preciso ser ?expert? no assunto; basta entender como utilizar os programas mais comuns e como ocorre a troca de informação. Caso não dominem a linguagem, é aconselhável procurar uma escola de informática ou profissional para orientá-los. * Sob supervisão da editoria de Cidades. ### Acusado ?invade? casa de ex-secretário | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Arapiraca ? Para o médico André Valente, os filtros que limitam os conteúdos de internet seriam suficientes para manter os filhos em segurança. O ex-secretário de Saúde do Estado acreditava que suas crianças estariam livres de más influências, porque nunca andavam desacompanhadas, mas nem mesmo essa vigilância conseguiu impedir que M.C., sua filha de 13 anos, fosse assediada por um homem mais velho na internet. ?Com a vigilância que a gente tinha, não tinha noção alguma da possibilidade de meus filhos estarem expostos à pedofilia na internet. Depois do que aconteceu, cortamos a internet dos quartos e o acesso deles hoje é limitado a algumas horas por dia?, declarou o médico. ### Assédio à filha foi descoberto por acaso O assédio a M.C. foi descoberto em maio, depois que o médico resolveu buscá-la um pouco mais cedo no curso de crisma, que fazia na escola. O médico conta que no começo não queria deixar a filha frequentar as aulas religiosas, justamente devido à dificuldade de acompanhá-la na chegada e na saída da escola. ?Na terceira aula que ela foi, cheguei antes da hora e fiquei desesperado quando descobri que ela não estava no curso. Na hora em que a aula deveria terminar, ela chegou ao local. Quando conversamos em casa, ela acabou contando tudo?, relata o médico. PB ### ?Adolescência é fase de experimentos? Os psicólogos destacam que a adolescência é a fase do experimentos, as mudanças de comportamento são muito sutis, o que só reforça a importância dos pais estarem atentos para impedir as ações de pedófilos e outros problemas, sejam eles na internet ou não. ?Não tem como impedi-los de navegar, mas um indicador interessante é observá-los frente às ferramentas utilizadas. Não é uma questão de controle, e sim de educação?, sugere o psicólogo Josaias Soares. ?Se eles fecham de repente o que estão acessando, quando chega um adulto, é bom ficar alerta, saber qual o tipo de contatos que estão mantendo?, reforça a psicóloga Nidyanne Porfírio. Para a psicóloga, estar presente na vida do filho, conversar com representantes da escola, saber quem são os amigos, ficar mais próximo e investir nessa relação é fundamental. MG ///

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