Cidades
Carros e bicicletas travam luta di�ria
Observando o trânsito de Maceió como expectador passivo, uma guerra parece estar sendo travada rua a rua, esquina a esquina: motoristas de automóveis e ciclistas realizam malabarismos diários e vivem em conflito no tráfego da capital, transformando o que deveria ser um espaço de convívio saudável em campo de batalha. Não é preciso ir longe: as Avenidas Menino Marcelo, na Serraria, e Siqueira Campos, no Trapiche, apontadas pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito como as vias em que mais circulam bicicletas, são um exercício de paciência. As faixas estreitas e a inexistência de ciclovias aglomeram os veículos de quatro e duas rodas em um espaço estreito, colocando em perigo a vida dos condutores. E quem perde nesse jogo perigoso é, normalmente, o mais fraco. * Sob a supervisão da editoria de Cidades. ### Falta de espaço atinge outras cidades Felipe César Santana, 23 anos, também arquiteto e conselheiro Norte-Nordeste da União dos Ciclistas do Brasil (UCB), que estava em Maceió de passagem, como parte do roteiro que fará pedalando, apontou que a falta de espaços adequados para ciclistas é problema da maior parte das cidades brasileiras, mas que a situação pode ser revertida. ?É preciso devolver a cidade às pessoas?, protestou. Daniel Moura, porém, procura diluir a imagem de inimigos de carros. ?Não somos contra [os carros]. Só queremos que exista a possibilidade de optar por outro meio de transporte?. ### Estatuto determina elaboração de plano O Estatuto da Cidade, aprovado em 2001, determina que todos os municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes elaborem um plano de transportes e trânsito, o Plano de Mobilidade (PlanMob), com prazo final até 2010. Hoje, a diretriz utilizada pelo Ministério das Cidades, criado em 2003, é de que esse plano dê prioridade para um planejamento sustentável social e ambientalmente, estimulando o uso do transporte público e não motorizado. O órgão federal chegou a estabelecer uma ?Política Nacional de Mobilidade Urbana para a construção de cidades sustentáveis?, como conceitua o estudo formulado para auxiliar os municípios a elaborar seus planos de mobilidade. No caderno de apresentação, composto por 186 páginas, alguns dados são expostos para consolidar a visão da necessidade de promover o melhor uso do espaço urbano. ### Carros aumentam poluição e acidentes A crescente participação dos meios motorizados tem um efeito de crescimento diretamente proporcional aos custos de dois grandes problemas atuais: poluição e acidentes de trânsito. Segundo o Sistema de Informações da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), o País gasta cerca de R$10 bilhões por ano com esses fatores. Da cidade do menor a de maior número de habitantes, o transporte individual responde por mais de 75% destes custos. No trânsito, são emitidas anualmente 1,6 milhão de toneladas de poluentes locais, sendo 84% atribuída ao transporte individual. Também são expelidos 22,7 milhões de toneladas por ano de gás carbônico (CO2), responsável pelo efeito estufa, dos quais 66% são provenientes de carro particular. O custo das emissões atinge um total de R$ 4,5 bilhões por ano. Já o valor atribuído a acidentes é de R$ 4,9 bilhões no mesmo período. ### Maceió terá que formular projeto de mobilidade Maceió, que conta com população de cerca de 800 mil habitantes, está enquadrada no grupo de cidades obrigadas a formular seu Plano de Mobilidade até 2010. Aqui, o projeto teve início em junho do ano passado e a previsão de término está em cima do prazo: dezembro de 2009. O plano do município está sendo elaborado pela Organização Não-Governamental (ONG) Rua Viva, vencedora do edital, e financiado pelo Ministério das Cidades, que subsidiou 90% dos cerca de R$ 372 mil disponibilizados para a realização do projeto. ///