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Acidentes em BRs aumentam em 23,4%

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Cento e dez, cento e vinte, cento e sessenta. Asfalto novo é um convite para a velocidade, a sensação de poder com o volante nas mãos se agiganta diante da pista sem buracos. O tapete negro se estende, salta aos olhos, seduz a mente a pisar fundo no acelerador. Placas de sinalização passam cada vez mais rápido, o ronco do motor entorpece o juízo, mas uma carreta ?chata? obriga a reduzir a marcha. Faixa dupla amarela, proibido ultrapassar ? ?vai dar tempo?... Vruuuum! Crash! A morte passa com mais de mil por cima da imprudência. A recuperação das rodovias federais em Alagoas era um antigo sonho de consumo de dez entre dez viajantes, mas o aumento da frota de veículos e de motoristas afoitos preocupa a Polícia Rodoviária Federal (PRF). ### Perigo cresce com bom estado da pista Os aparelhos de etilômetro (mais precisos que os bafômetros) da Polícia Rodoviária Federal (PRF) incriminam condutores bêbados nas estradas federais de Alagoas todos os dias. Com as pistas boas, o perigo se agrava. O próprio superintendente da PRF reconhece. ?Em modo geral, quando o asfalto é novo, infelizmente aumentam os índices de acidentes, principalmente os casos graves, como capotamento, tombamento, saída de pista e colisão frontal?, adverte Gibson Magalhães. Só na última segunda-feira, patrulheiros flagraram dois motoristas de ônibus de linha urbana dirigindo bêbados às 10h30. ?Infelizmente ainda não entrou na cabeça do condutor brasileiro o risco que ele corre por não obedecer à Lei 9.503 de 1997, que é o nosso Código de Trânsito?, lamenta Gibson, lembrando que, só no último carnaval, os radares captaram mais de quatro mil imagens de infrações por excesso de velocidade. ### Fluxo ultrapassa 10 mil veículos por dia O trecho da BR-101 mais movimentado de Alagoas fica próximo à Usina Terra Nova, em Pilar, com um índice de Volume Médio Diário (VMD) de 10.100 veículos. Da divisa de Pernambuco até Messias, o registro do VMD, medido pela última vez no ano passado, chega a 9.200. Os perigos da principal rodovia do País se reforçam com a grande quantidade de veículos pesados. Cerca de 80% do fluxo é composto por carretas, ônibus e caminhões. A grande quantidade de veículos de cargas, a ânsia por ultrapassagens arriscadas e a pista sinuosa formam uma combinação explosiva. O inspetor Soares destaca a importância das reformas nas rodovias não só para eliminar os buracos, mas também para consertar defeitos. Um exemplo é o trecho próximo à extinta Usina Bititinga, que já foi muito mais perigoso, mas melhorou. ?A pista era muita estreita e não tinha acostamento?, informa Soares. ### Carreta tomba depois de sobrar na curva Quando parou no quilômetro 107 da BR-101 para mostrar os perigos da Ladeira Sumaúma, em Pilar, a viatura da PRF foi alertada sobre um tombamento de carreta quatro quilômetros adiante. Informe passado no rádio, sirene ligada, aqui o limite de velocidade não é respeitado. É preciso chegar ao local com urgência, pode haver feridos. As carretas dão sinais e ajudam nas ultrapassagens, mas as manobras exigem perícia do condutor. Uma carreta rodotrem composta pelo cavalo mecânico e mais três veículos (duas caixas de carga e uma Dolly entre elas) sobrou numa curva, caiu na armadilha do acostamento alto e tombou parcialmente. ///

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