Cidades
Maceioense n�o tem onde cair morto
Um grupo de amigos do estudante Diego Rafael Oliveira Santos, 17 anos, morto terça-feira no Conjunto Eustáquio Gomes, interrompeu a sessão itinerante da Câmara de Vereadores de Maceió, quarta-feira da semana passada, e pediu auxílio aos vereadores para estruturar o velório e o sepultamento do colega. A cena, trágica e comovente, chamou a atenção da classe política, que se reunia no Conjunto Denisson Menezes, bairro do Benedito Bentes, e expôs outro problema: a urgente necessidade de investimento público em cemitérios na periferia de Maceió. Engana-se quem pensa que o problema dos amigos de Diego Santos [sepultado no cemitério São Luiz, no Benedito Bentes] é caso isolado em Maceió. ### São José: 70% dos sepultamentos Enquanto o novo espaço prometido pela prefeitura não chega, a população maceioense das classes populares divide seus sepultamentos nos oito cemitérios públicos hoje existentes: São José, no bairro do Trapiche da Barra; Nossa Senhora da Piedade, no Prado; Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá; São Luiz, no Tabuleiro do Martins; Divina Pastora, em Rio Novo; Santa Luzia, em Riacho Doce; Nossa Senhora do Ó, em Ipioca; e Santo Antônio, em Bebedouro. Destes, sete são praticamente destinados aos sepultamentos das comunidades onde estão localizados. Além disso, o cemitério Nossa Senhora da Piedade é composto basicamente por mausoléus, estruturas antigas construídas por famílias tradicionais de Alagoas e que não podem ser removidas pelo município, mesmo em situações de inadimplência. ### Não há superlotação, diz prefeitura Apesar da grande demanda e dos problemas de espaço enfrentados pelos cemitérios públicos de Maceió, o diretor do Departamento de Cemitério da Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano é enfático. ?Não existe superlotação. Ninguém nunca deixou de ser enterrado em Maceió por falta de espaço?. Múcio Marcelo Moura da Rocha ocupa o cargo desde 2005, embora tenha se ausentado por algum tempo para desenvolver outras atividades dentro da prefeitura. Na sede da SMCCU, ele detalhou os investimentos que foram feitos pelo departamento nos últimos anos e ressalta que os problemas enfrentados pela população na hora dos sepultamentos são decorrentes mais da falta de informação das famílias do que da falta de espaço nos cemitérios. ?Muitas vezes, por exemplo, o atestado de óbito não é levado e nós não podemos enterrar nenhum corpo sem uma declaração do IML (Instituto Médico Legal) ou do hospital?, apontou o diretor. ///