VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Polícia investiga tentativa de feminicídio após mulher ser incendiada em área de mata; vítima está no HGE
Polícia investiga tentativa de feminicídio após mulher ser incendiada em área de mata; vítima está no HGE
Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, foi levada para uma região de mata, teve o corpo incendiado, rastejou até conseguir chegar à pista para pedir ajuda e agora está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE), com 90% do corpo atingido pelas chamas. O cenário de crueldade foi descrito em detalhes pelas filhas da vítima. O caso ocorreu na última sexta-feira (26) e é investigado pela Polícia Civil. O companheiro dela, Carlos Henrique dos Santos, é o principal suspeito.
Considerada uma mulher alegre e brincalhona, Ana Paula luta pela vida após ser vítima de uma tentativa de feminicídio. De acordo com Thaynara Oliveira, uma das filhas, a violência teria sido motivada porque o suspeito não aceitava o fim do relacionamento.
Segundo as filhas, Ana Paula havia decidido encerrar a relação após ser submetida a uma série de traições do companheiro ao longo dos anos. “Ele vivia traindo ela, principalmente com homens. Ele nunca demonstrava bater na minha mãe, mas a agredia com palavras”, relata Thaynara Oliveira.
Na semana anterior à tentativa de feminicídio, as filhas afirmam que Ana Paula já havia sido espancada pelo suspeito. Elas registraram em vídeo os ferimentos que ficaram marcados no corpo da mãe.
“Na semana passada, a minha mãe foi para a Barra. Ele a localizou, agrediu minha mãe e tentou arrancar pedaços do corpo dela com os dentes”, contou Amanda Oliveira, outra filha da vítima.
Amanda acredita que o crime foi premeditado. Segundo ela, o suspeito saiu para comprar gasolina enquanto Ana Paula o aguardava. Depois, os dois seguiram caminhando juntos. Próximo a uma região de mata, no Distrito Industrial, ele teria arrastado a vítima pelos cabelos e ateado fogo em seu corpo.
“Depois, ele a deixou lá se queimando. Ela saiu rastejando do local até conseguir chegar à pista. Os carros pararam e ela foi socorrida”, relatou Amanda.
A filha afirma que Ana Paula respira com a ajuda de aparelhos e revelou um detalhe que, segundo a família, evidencia a extrema violência sofrida pela mãe.
“A gente descobriu há pouco que a língua dela foi arrancada. A gente está desesperado”, disse Amanda, aos prantos.
A diretora da Casa da Mulher Alagoana, Paula Mendes, explica que a violência contra a mulher se manifesta de diversas formas, como a psicológica, a moral, a física, a patrimonial e a vicária. “A violência do feminicídio é a mais fatal. A tentativa de feminicídio revela o ódio e o desprezo pela vida da mulher. É como se esse homem quisesse definir se ela vai viver ou não, como se tivesse o poder de decidir por ela”, afirma Paula Mendes.