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Trabalhadores alagoanos vivem drama

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Dentro do ônibus, rumo ao município de Nova Mutum, distante 264 km da capital Cuiabá, no Mato Grosso, José Júnior Bezerra, 26 anos, pensava em ajudar os pais. Deixou os amigos, a família e até o cavaquinho, companheiro inseparável na banda de pagode, uma de suas paixões. Havia decidido a contragosto da mãe. Queria dar-lhe uma vida melhor. Também sonhava em comprar uma casa para o pai. Isso se o encontrasse algum dia, já que não o via desde os seis anos idade, depois da separação. Chegou à cidade, se instalou e começou a trabalhar. Mas o sonho durou menos de 3 meses e acabou de forma trágica. A caminho do trabalho, no último dia 10 de setembro, a fábrica da Perdigão, para onde foi arregimentado com mais de 130 alagoanos, Júnior sentiu-se mal e desabou. O corpo ficou estendido no canteiro da avenida por mais de uma hora, até a chegada do Corpo de Bombeiros. Levado ao hospital, ele não resistiu e morreu. ### Alagoano morre em Nova Mutum Cícera Bezerra da Silva chora desde o dia em que recebeu a trágica notícia da morte do filho, Júnior Bezerra. Sentada no sofá, na sala da casa pequena, em uma rua estreita da Vila Brejal, às margens da Lagoa Mundaú, ela usa uma toalha branca para enxugar as lágrimas que não param de lavar o rosto sofrido. ?A mãe que tem filho ainda lá em Mato Grosso que se apresse para buscar, porque o meu eu já perdi?, chora a mulher. O pranto comove a tia e os primos de Júnior, que desde então lutam para reanimar a mãe do trabalhador, que mal come e perdeu a vontade de trabalhar na banca de verdura no Mercado da Produção. ?Não entendo porque não impediram que ele trabalhasse mesmo estando doente. Tanta gente que tinha lá e não apareceu ninguém?, magoa-se Cícera. ### Grupo tem sonhos desfeitos na chegada Santa Luzia do Norte ? Quando embarcou rumo a Nova Mutum, no Mato Grosso, no dia 24 de junho, Laerte Mascarenhas alimentava o sonho de melhorar de vida. O trabalho na Perdigão (agora Brasil Foods) parecia perfeito, já que em Maceió ele já atuava no ramo. O salário mínimo era pouco, mas seria compensado pela garantia de moradia e alimentação. Uma oportunidade imperdível para ele. Selecionado entre milhares de candidatos, Laerte partiu cheio de esperança. Dentro do ônibus, durante os três dias de viagem, era o mais animado e otimista. Mas o sonho se transformou em profunda decepção quando chegou à cidade. Reavaliado pelos médicos da empresa, Laerte foi desabilitado para o trabalho que já tinha como certo. ### Empresa diz que atende à expectativa do trabalhador Por meio de sua assessoria de comunicação, a Brasil Foods informou que a empresa implementou projetos de novas unidades no Centro-Oeste. ?Ao longo dos últimos anos tivemos a experiência de contar com a migração de funcionários oriundos de outros Estados para atuar nas novas fábricas. Esses profissionais vislumbraram na Brasil Foods a oportunidade de emprego, de crescimento profissional e de possibilidades de realizar seus projetos e sonhos pessoais, perspectivas estas que eles não tinham em suas regiões de origem. Temos muitos relatos e fatos que comprovam que essas expectativas foram, em sua maioria, atendidas?, diz o texto enviado por e-mail, atendendo à solicitação da reportagem. ///

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