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Acusado de estupro contra jovem em Coité do Noia é preso após 1 ano e meio foragido

Victor Bruno, o “Vitinho”, entregou-se à polícia em Taquarana; fase de depoimentos foi encerrada e caso aguarda sentença

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Acusado de dopar, espancar e estuprar Maria Daniela Ferreira, de 19 anos, Victor Bruno da Silva, de 18 anos, conhecido como “Vitinho”, foi preso nessa sexta-feira (10). Ele estava foragido desde fevereiro de 2025 e se entregou às autoridades no Fórum de Taquarana após um cerco da Polícia Civil. O acusado permanecia escondido em uma residência familiar na zona rural do município, localizado no Agreste de Alagoas, encerrando um período de um ano e cinco meses de fuga.

O jovem compareceu ao fórum acompanhado por três advogados. Contra ele constavam dois mandados de prisão. Um deles decorre de investigações sobre sua fuga, que revelaram o envolvimento do acusado e de seu pai, José Vieira dos Santos, conhecido como Dedé Veículos, em fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. A prisão ocorreu no mesmo dia em que a polícia realizou uma operação em um estabelecimento comercial da família em Arapiraca.

O crime contra Maria Daniela ocorreu no dia 6 de dezembro de 2024, em uma chácara no Povoado Poção, zona rural de Coité do Nóia. A denúncia foi feita pelo pai da vítima após a jovem sofrer lesões graves e permanecer em coma por cinco dias. Com a prisão do acusado, o processo avançou em audiência realizada nessa sexta-feira (10) com o depoimento de testemunhas remanescentes e do próprio réu.

Segundo os laudos da Polícia Civil, Maria Daniela foi vítima de violência sexual, agressões físicas e asfixia, o que resultou em privação de oxigênio no cérebro e traumatismo craniano grave. Passados quase dois anos do episódio, a jovem apresenta sequelas neurológicas, edemas cerebrais e restrições motoras, necessitando de reabilitação permanente. Exames toxicológicos realizados na época identificaram cinco substâncias químicas no organismo da vítima: Diazepam, Fenitoína, Haloperidol, Nordiazepam e Prometazina — esta última utilizada como sedativo.

A defesa e a família do acusado negam o crime. Antes de o filho fugir, o pai de Victor Bruno divulgou um vídeo afirmando que a jovem havia passado mal e recebido socorro do filho. Em abril de 2025, o advogado da família da vítima, Ikei Gabriel, relatou à imprensa que o pai do suspeito sugeriu uma união entre os jovens para encerrar o conflito.

A polícia apurou que o acusado trocou de endereço constantemente durante o período em que esteve foragido para evitar a prisão. Um inquérito financeiro, autorizado judicialmente, revelou movimentações bancárias suspeitas por meio de contas de pessoas físicas e de laranjas para mascarar o faturamento real de empresas registradas, inclusive no nome de Victor Bruno.

O delegado José Carlos, da Dracco, detalhou o impacto dos valores identificados após a quebra de sigilo autorizada pela Justiça. O pai do jovem movimentou R$ 150 milhões em quatro anos, enquanto o grupo criminoso, composto por seis integrantes, entre pessoas físicas e jurídicas, movimentou R$ 305 milhões no mesmo período. “Os envolvidos usavam contas de pessoas físicas e de laranjas para movimentar recursos de empresas. Duas empresas do grupo tinham no papel um pagamento de imposto irrisório, mas, na prática, movimentavam milhões”, informou José Carlos.

A operação dessa sexta-feira cumpriu mandados em sete endereços, resultando na apreensão de documentos, veículos, aparelhos celulares e R$ 90 mil em espécie, além do bloqueio de contas bancárias. “Nosso objetivo era estancar e interromper essa lavagem de dinheiro e crimes fiscais, principalmente em relação ao fisco estadual, e interromper essa cadeia de recursos que mantinha Vitinho seguro e distante”, concluiu o delegado.

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