loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Drama de negros albinos persiste

Ouvir
Compartilhar

Santana do Mundaú - Os nove negros albinos da comunidade de remanescentes do Quilombo de Filus, na Serra do Cachorro, na zona rural de Santana do Mundaú, a 104 km de Maceió, podem ser a redenção das 25 famílias de descendentes de quilombolas que vivem em estado de miséria e lutam para sobreviver. De pele sensível e expostos ao sol , os ?galegos?, como são chamados, apresentam forte probabilidade de desenvolver câncer de pele, alguns deles já apresentam lesões na cútis. O pânico tomou conta da comunidade depois que Luzinete Isabel da Conceição, que era albina, morreu aos 37 anos, vítima de câncer de pele, em 2008. Sem ter nem mesmo água limpa para beber, vivendo em casebres de taipa, sem banheiro, adoecidos pela verminose que lhes enche a barriga, os Filus não têm condições de cuidar dos seus albinos. O drama foi mostrado com exclusividade pela Gazeta, em reportagem publicada em março passado. ### Exposição ao sol prejudica quilombolas Santana do Mundaú - Na palhoça erguida na frente da pequena casa que serve de escola e de mais duas outras moradias que formam uma espécie de núcleo da comunidade, onde acontecem as reuniões dos Filus, o único albino presente até então era o pequeno Henrique, 8 anos. Os outros estavam sendo avisados por Dona Terezinha, a líder dos Filus, matriarca de uma das famílias tronco que formam a comunidade descendente de quilombolas. Pouco mais de uma hora depois, os nove albinos de Filus estavam reunidos. São quatro adultos, quatro crianças e um bebê de 9 meses. O último a chegar foi Amauri da Silva. Trabalhador rural, ele é um dos que mais se expõe ao sol, nas lavouras de banana, de onde tira o seu sustento. ### Lesão de pele surpreende pesquisadora Santana do Mundaú - Coordenadora do Curso de Aperfeiçoamento em Cirurgia Plástica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com uma série de publicações na área, a professora Lydia Masako ficou comovida com o drama dos Filus. ?Eu conheci o doutor Fernando Gomes na Unifesp e ele me contou sobre a comunidade?, diz. ?Fiquei sabendo do falecimento da Luzinete. Foi muito dramático. Isso me sensibilizou e me mostrou a importância de dar a minha contribuição para tentar melhorar a qualidade de vida dessas pessoas?, disse a pesquisadora. ### Seis meses depois, nenhuma solução Para o doutor Fernando Gomes, do Hospital Universitário (HU), o poder público está devendo à comunidade de Filus. ?Simplesmente nada foi feito de seis meses para cá. A situação é a mesma. É preciso que haja o mínimo de estrutura para que os albinos de Filus possam viver aqui, e isso é dever do poder público?, diz Fernando Gomes. ?Caso contrário, eles vão ter que sair daqui?, completa. O cirurgião plástico tem consciência de que a ida dele e da professora Lydia Masako à comunidade não vai resolver a situação. O problema tem que ser encarado po todas as autoridades que têm condições de colaborar de algum modo com os descendentes de quilombolas de Santana do Mundaú. ### Eles ainda bebem água contaminada Eleito presidente da Associação Comunitária dos Remanescentes do Quilombo dos Filus, o agricultor Antônio José da Silva, também deu uma pausa na lida com as bananas e foi prestigiar a visita do doutor Fernando e da professora Lydia Masako. ?Espero que isso possa trazer melhorias para nós, porque até agora nada mudou para a nossa comunidade. Ainda continuamos bebendo água contaminada, lembra que nós mostramos quando você veio aqui da outra vez? Tá tudo do mesmo jeito?, lamenta Antônio. ///

Relacionadas