REENCONTRO
Após 40 anos, homem desaparecido e identificado reencontra família no Sertão de Alagoas
Ação conjunta localizou idoso que vivia sob identidade desconhecida em abrigo de Santana do Ipanema
Edson Almeida Nunes reencontrou seus familiares nessa quinta-feira (16), em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, após passar mais de 40 anos desaparecido. Ele residia há 13 anos no abrigo Casa São Vicente de Paulo, no mesmo município, e foi identificado por meio de uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid), do Ministério Público Estadual (MPE/AL). O idoso foi entregue aos cuidados de sua irmã, Margareth Francisca Landa de Souza.
A trajetória de Edson no Estado começou há 13 anos, quando ele sofreu um acidente em uma rodovia federal e foi internado no Hospital Regional Clodolfo Rodrigues de Melo, em Santana do Ipanema. Sem documentos e temporariamente impossibilitado de falar devido às sequelas do acidente, ele foi transferido para a Casa São Vicente de Paulo após a alta médica.
Somente cinco anos após o ingresso no abrigo, o idoso recuperou a fala, informou seu nome, que era originário do Distrito Federal e havia trabalhado em uma instituição federal.
IDENTIFICAÇÃO EM SETE HORAS
A localização dos parentes teve início em junho deste ano, quando a delegada Rebecca Cordeiro, da Delegacia de Vulneráveis da Polícia Civil, conheceu o caso durante uma operação no município e acionou o Plid.
Como o idoso não possuía Registro Geral (RG) emitido em Alagoas, o programa solicitou o apoio da Polícia Federal. Por meio do cruzamento de dados papiloscópicos federais, a identidade de Edson foi confirmada em menos de sete horas. No mesmo dia, a rede de buscas localizou os familiares, que residiam em Taguatinga (DF) e acreditavam que ele havia morrido. Os pais de Edson já faleceram, mas ele ainda possui cinco irmãos vivos.
De acordo com a promotora Marluce Falcão, coordenadora do Plid em Alagoas, o programa funciona de forma integrada com mais de 40 órgãos parceiros. A partir do registro do boletim de ocorrência pela Polícia Civil, o Ministério Público aciona a rede para o cruzamento imediato de dados em diferentes bancos estaduais e federais.