ESTÉTICA
Correção de orelhas proeminentes devolve autoestima a pacientes
Pais recorrem à otomodelação para poupar filhos do bullying; adultos buscam encerrar décadas de insatisfação silenciosa
Foi na escola, aos 7 anos, que Luiz Guilherme enfrentou pela primeira vez os efeitos do bullying. Os colegas riam do formato de suas orelhas. Em 2026, aos 10 anos, essa realidade mudou após ele ser submetido a um procedimento minimamente invasivo para corrigir as orelhas proeminentes.
Percebendo a tristeza do filho, a mãe, Carla Maria dos Santos, buscou alternativas na internet até encontrar uma intervenção não cirúrgica. A decisão levou a família a deixar Goiânia rumo a Alagoas para que o menino realizasse a otomodelação.
O procedimento atua na remodelação da cartilagem auricular externa, reposicionando a orelha para que fique em harmonia com o crânio e preservando a naturalidade. A enfermeira esteta Fran Ferreira, especialista em harmonização facial e de orelhas que atua em Alagoas, explica que a intervenção é feita em consultório sob anestesia local, sem necessidade de centro cirúrgico ou anestesia geral, como exige a otoplastia (cirurgia convencional).
"A remodelação é feita por meio de uma técnica que modifica o posicionamento da cartilagem utilizando fios permanentes de alta resistência, desenvolvidos para manter a nova conformação ao longo do tempo. O trauma tecidual é significativamente menor quando comparado à cirurgia aberta. Isso contribui para uma menor resposta inflamatória, recuperação mais rápida e ausência de cicatrizes aparentes", esclarece a profissional.
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Embora a otomodelação seja mais prática, a cirurgia tradicional continua sendo indicada para casos complexos, deformidades congênitas ou reconstruções.
CABELOS CAMUFLADOS
Os cabelos longos e cacheados de Sarah Ferreira, de 20 anos, esconderam por muito tempo um incômodo que ninguém ao redor percebia. O trauma começou na escola, quando precisou fazer um coque alto e passou a rejeitar o uso de cabelos presos. A gravidade da insegurança ficou clara às vésperas de seu casamento, em abril de 2025, quando o vestido escolhido combinava com um penteado preso — o que a levou a usar cola instantânea nas orelhas durante o teste.
"Na igreja, eu fiquei o tempo inteiro achando que ia soltar, que as pessoas veriam uma orelha colada e a outra não. Quando retornei para casa, tirei a cola e desfiz o penteado, porque fiquei com esse medo de descolar", recorda. No dia da cerimônia, ela cedeu ao medo e casou com os cabelos soltos. Após realizar a otomodelação, a rotina mudou. "Fico feliz demais em poder prender meu cabelo lá em cima, ir de trança para a academia. É uma coisa incrível. Hoje eu não tenho mais essa insegurança."
As marcas do formato das orelhas costumam atravessar a infância e chegar à vida adulta de forma silenciosa. Vitória Canabrava, de 24 anos, evitava prender os cabelos desde os 12 anos e costumava apagar fotos em que o rosto aparecia de perfil. Há dois meses, realizou a otomodelação para iniciar a faculdade de Direito e trabalhar com sua imagem na moda feminina. "Hoje consigo fazer um coque, prender o cabelo para correr ou simplesmente me produzir sem me preocupar com isso. Me trouxe muito mais segurança", relata.
IMPACTO ALÉM DA ESTÉTICA
A maior procura pelo procedimento ocorre entre crianças em idade escolar, adolescentes e adultos jovens. Nos pacientes infantis, a busca parte dos pais para interromper o sofrimento com o bullying. Na adolescência, está ligada à identidade e à aceitação social. Já os adultos costumam agendar a intervenção antes de marcos importantes, como casamentos e mudanças profissionais.
Para Fran Ferreira, a mudança vai além do espelho. "Do ponto de vista psicológico, diversos estudos demonstram que intervenções capazes de corrigir características físicas associadas ao sofrimento emocional podem produzir melhora importante na autoestima, na autoimagem e na qualidade de vida. Muitas vezes, não estamos apenas remodelando uma orelha, mas devolvendo ao paciente a liberdade de se apresentar ao mundo da forma como sempre desejou", finaliza.