Cidades
Document�rio retrata cotidiano de favela
Um prato com arroz e feijão, sem nenhuma proteína animal, alimentava uma menina, e sua mãe, na entrada da Favela Sururu de Capote, em Maceió, no início da tarde da última quarta-feira, 11. A cena é comum ali, uma favela onde vivem dezenas de famílias, todas vítimas da exclusão social. Em muitos outros barracos, as famílias não dispõem sequer desses dois alimentos. A realidade da Sururu de Capote está sendo divulgada em todo o País, e até no exterior, num documentário produzido por entidades não-governamentais para mostrar como a fome ainda é uma tragédia na vida de milhões de brasileiros. Duas comunidades do Nordeste foram focadas na produção, que mostra a negação de um direito humano: o direito de se alimentar. ### Comunidades ainda lutam pelo direito à alimentação A Câmara dos Deputados aprovou no último dia 3, em primeiro turno, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 047/2003, que inclui o Direito Humano à Alimentação entre os direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal. Já são direitos sociais definidos no artigo 6º a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados. A PEC 47 inclui nessa lista o direito à comida. Em comunidades como a favela Sururu de Capote este, como nenhum dos direitos constitucionais, é respeitado pelo poder público. Num dos trechos do documentário Peraí, é nosso direito!, uma moradora da favela manifesta a compreensão de que os governos não investem na pobreza por que é interesse mante-los nessa condição de miserabilidade. ### Militante combate miserabilidade Nessa batalha diária, que começou depois que conseguiu sair do mundo das drogas e da prostituição, a militante popular Vânia Teixeira conta com o apoio de entidades como a Abrandh, que sempre cita cada vez que fala sobre o trabalho de organização das favelas. A Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) criada em 2002, cuja missão ?é promover a realização e a exigibilidade do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) no Brasil e em outros países, por meio de projetos de cooperação nacional e internacional?. Mobilizando e conscientizando homens e mulheres como a alagoana Vânia Teixeira, a entidade quer contribuir ?para a construção de um país justo e democrático?. ///