NOVAS ESTRATÉGIAS
AL reforça combate à dengue com uso da IA e mosquitos modificados
Novas estratégias ajudam municípios a mapear focos do Aedes aegypti e evitar o surgimento de surtos no estado
O enfrentamento ao Aedes aegypti em Alagoas ganhou o reforço de tecnologias avançadas de controle biológico e digital contra a dengue, zika e chikungunya. As novas estratégias combinam armadilhas inteligentes, leitura otimizada por inteligência artificial e a liberação de mosquitos modificados com bactérias naturais para conter a proliferação do vetor.
ARAPIRACA PREPARA CHEGADA DA WOLBACHIA
Em Arapiraca, o município prepara a implementação da tecnologia Wolbachia, uma iniciativa internacional do World Mosquito Program produzida no país pelo Wolbito do Brasil e executada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o Ministério da Saúde.
A técnica consiste na soltura programada de “Wolbitos” — exemplares do Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus dentro do organismo do inseto. Ao serem liberados, eles se reproduzem com a população local e geram descendentes que herdam o agente biológico, estabelecendo gradativamente uma população do mosquito incapaz de transmitir as doenças.
‘Lula de Arapiraca’ é levado à delegacia após danificar gramado
IML confirma: homem morreu após se engasgar com cuscuz em Arapiraca
Adolescente de 14 anos morre em acidente entre moto e caminhão na AL-220
'Lula' preso? Sósia do presidente é levado a delegacia após denúncia sobre dano a patrimônio
Brasileiros ao redor da América - 14/08/2026
Nesta primeira etapa, 24 bairros prioritários de Arapiraca serão contemplados, levando proteção direta a cerca de 118 mil habitantes. “Esse é um método totalmente seguro, autossustentável e natural, que tem sua eficácia comprovada ao redor do mundo inteiro”, destacou a secretária municipal de Saúde, Rafaella Albuquerque. Adotada em 15 países, a tecnologia reduz em média 85% os casos de dengue — marca que alcançou 89% de redução no município de Niterói (RJ).
Paralelamente às intervenções biológicas, o Estado expande a vigilância por meio das ovitrampas — armadilhas de baixo custo formadas por recipientes escuros com água e palhetas de madeira que simulam o ambiente ideal para a postura de ovos. Funcionando como sensores entomológicos de alta sensibilidade, elas permitem identificar o surgimento de focos precocemente, possibilitando ações direcionadas antes que a proliferação se converta em surtos epidemiológicos.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) capacitaram e definiram as diretrizes para municípios com mais de 50 mil habitantes, incluindo Maceió, Arapiraca, Rio Largo, Palmeira dos Índios, União dos Palmares, Penedo, São Miguel dos Campos, Delmiro Gouveia e Marechal Deodoro.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SUBSTITUI CONTAGEM MANUAL
Um dos pilares centrais dessa fase é a substituição da contagem manual das palhetas por ferramentas digitais como o aplicativo Conta Ovos e o painel BR-Aedes. A tecnologia utiliza inteligência artificial e visão computacional para analisar as fotos das palhetas recolhidas em campo e calcular em tempo real o Índice de Densidade de Ovos (IDO) da região. Os treinamentos também apresentaram as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), onde a própria fêmea carrega o larvicida para criadouros inacessíveis às inspeções tradicionais.
As aplicações práticas já avançam pelo estado: Coruripe foi o primeiro município alagoano a instalar as armadilhas nos imóveis; Arapiraca iniciou a distribuição das ovitrampas em 10 bairros estratégicos (como Centro, Brasília, Cavaco, Planalto e São Luiz); e Penedo instalou os dispositivos a cada 300 metros em residências e comércios, recolhendo as palhetas a cada cinco dias para mapear as áreas de maior risco.
A integração entre a inovação biológica, o monitoramento por inteligência artificial e a participação popular busca criar uma barreira epidemiológica sustentável e de longo prazo. Com esse ecossistema preventivo, Alagoas pretende não apenas conter os surtos sazonais, mas também reduzir drasticamente as internações hospitalares causadas por complicações das arboviroses na rede pública.