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Inocentes v�timas da viol�ncia sexual

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Identificados por suas iniciais, eles são vítimas de pessoas próximas, que não levantariam suspeita alguma. As faces incógnitas são de crianças e adolescentes abusados sexualmente por amigos, vizinhos, tios, padrastos, pais, avôs. O número de casos é crescente, as denúncias têm aumentado, mas as políticas públicas nem sempre são eficazes no combate ao crime. Conselhos Tutelares sem estrutura, levantamentos que não são unificados, ferramentas de defesa montadas com a boa vontade de voluntários, com o baixo salário dos conselheiros. O orçamento para resolver a questão não existe, não há investimentos, nem apoio consistente do governo para os órgãos dedicados à defesa da criança e do adolescente. ### Famílias feridas entram em desespero Indignação e desespero são sentimentos visíveis no olhar de pais das vítimas de abuso sexual. Eles pedem justiça, sentem-se feridos, algumas vezes não sabem a quem recorrer. Há situações em que as crianças e adolescentes seguem para abrigos, longe da família, onde são acompanhados por profissionais especializados. Para Wedna Miranda, secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, essa não é a melhor solução. Ela acredita que os casos precisam ser estudados individualmente e os abrigos devem ser a última alternativa. ?Levar para um abrigo é outra violência, por pior que seja a casa, aquele é o lar dela. É um sofrimento duplo para a criança. Quem tem que ficar longe é o agressor?, afirma. ### Crianças não sabem o que é abuso A questão da violência contra menores é delicada, envolve relações familiares e todo o sigilo referente aos problemas que envolvem padrastos, pais e outros parentes. A secretária Wedna Miranda relembra dos tantos casos que aconteceram no passado, em municípios do interior de Alagoas, quando as pessoas nem atentavam que o pai que ?se deitava? com a filha estava cometendo um crime. Os vizinhos podiam até comentar, mas não o denunciavam. Além da restrição dos casos ao seio familiar, ela cita outro entrave para punições mais rígidas e diminuição dos casos de abuso. ?Algumas crianças não sabem diferenciar se é um abuso ou um gesto de carinho, pois já estão acostumadas com aquela situação e acham natural?. ### Conselhos tutelares ainda são precários Presidente do fórum dos conselhos tutelares de Alagoas e da comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), José Edmilson de Souza reclama da precariedade dos conselhos tutelares do Estado. Ele acredita no crescimento dos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes e demonstra preocupação com o quadro, até porque os 106 conselhos tutelares existentes em Alagoas não se encontram em condições de agir com força contra os pedófilos. ?Faltam equipamentos e veículos. O Conselho de Ibateguara, por exemplo, está caótico: sem telefone, estrutura precária, problemas no telhado?, denuncia. ///

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