Cidades
PF confirma irregularidades em lotes de assentamento
A Polícia Federal (PF) divulgou, ontem, o relatório que apura denúncias feita pelo deputado Paulo Fernandes, Paulão?, (PT) de construções de mansões em assentamentos e desvio de finalidade do Programa de Reforma Agrária, no município de Branquinha. Dos 33 lotes investigados pelos peritos da PF, quatro apresentavam casas fora dos padrões das construídas pelos agricultores, com recursos do Banco do Nordeste (BN). A investigação, feita a pedido do Incra, foi realizada nos assentamentos Nova Esperança, Flor do Mundaú, Zumbi dos Palmares, Santo Antônio da Boa Vista e Eldorado dos Carajás. Apesar dos quatro lotes considerados irregulares, os peritos da PF, Celso Machado Campos e Nivaldo do Nascimento, atestaram que não existem mansões construídas nos lotes. Algumas das residências possuem modificações na estrutura como substituição de janelas e portas por outras de madeira de qualidade superior, colocação de pisos de cerâmica e construção de alpendre ao redor da casa. O superintendente-substituto do Incra, em Alagoas, Antônio Carlos da Silva Pereira, assegurou que as irregularidades apresentadas pelo relatório da PF serão investigadas pelo instituto. ?Os quatro lotes que apresentam casas fora dos padrões serão visitados por técnicos e tomaremos todas as medidas administrativas cabíveis para solucionar o problema?, garantiu. Laudo Antônio Carlos da Silva Pereira afirmou que o laudo dos peritos da PF confirma irregularidades em um número mínimo de lotes, o que difere da denúncia feita pelo parlamentar. ?Assim que recebemos o relatório, enviamos um para o deputado Paulão para que ele tomasse conhecimento do que foi apurado pelos federais?, destacou o superintendente do Incra. Ele explicou que o relatório da PFG deixa claro que não houve negociação dos lotes pelos assentados. ?Os terrenos não foram vendidos pelos agricultores como foi anteriormente denunciado, uma vez que as pessoas encontradas assentadas estão na lista do Incra?, disse. Os assentamentos de Branquinha são considerados pela Polícia Militar e Incra como um ?barril de pólvora?. Há cerca de 15 dias, o vice-presidente dos Assentados do município, Sebastião Agrício, foi assassinado horas depois de ter se posicionado contra a não inclusão de cerca de R$ 800 mil na rolagem total da dívida da entidade, em empréstimos coletivos e individuais, contraída junto ao Banco do Nordeste. Já na semana passada, o agricultor Manuel Lopes da Silva revelou à polícia que existe uma lista com o nome de sete pessoas que estão marcadas para morrer. ?Tomei conhecimento da lista em uma reunião no Centro Comunitário?, declarou.