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LEVANTAMENTO

AL tem 37 mil quilombolas e apenas 1,8% mora em territórios demarcados

Penedo lidera número absoluto de moradores e Palmeira dos Índios tem a única comunidade titulada

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Atualmente, 17 comunidades quilombolas aguardam a regularização fundiária de seus territórios
Atualmente, 17 comunidades quilombolas aguardam a regularização fundiária de seus territórios

Um novo painel de dados lançado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) mostra que Alagoas possui uma população de 37.724 quilombolas. O levantamento aponta que apenas 1,8% dessas pessoas vive dentro de territórios oficialmente formalizados e titulados no estado, enquanto 98,2% reside fora dessas áreas. A divulgação coincide com a recente titulação do território quilombola de Tabacaria, em Palmeira dos Índios — o primeiro quilombo totalmente regularizado no estado.

O mapeamento mostra que a população quilombola em Alagoas é composta por 50,8% de mulheres e 49,2% de homens. Na distribuição geográfica por municípios, Penedo lidera o número absoluto de moradores pertencentes a essa comunidade tradicional, com 5.280 pessoas. Na sequência estão Traipu (2.938), Arapiraca (2.128), Poço das Trincheiras (1.945), Água Branca (1.908) e Igreja Nova (1.809).

Os dados da Sudene também indicam a proporção que as comunidades quilombolas representam em relação ao total de habitantes de cada município. Sob esse critério, Palestina lidera o índice estadual, com 31,7% de sua população identificada como quilombola. Em seguida aparecem Jacaré dos Homens (24,6%), Poço das Trincheiras (15,5%), Santa Luzia do Norte (15,3%) e Traipu (12,5%).

A realidade de 1,8% de demarcação territorial em Alagoas contrasta com o caso recente de Palmeira dos Índios, no Agreste alagoano. Em 13 de março de 2026, a comunidade de Tabacaria alcançou a titulação completa de suas terras, tornando-se o primeiro território quilombola totalmente regularizado no estado. A etapa final foi concretizada com a assinatura do Contrato de Concessão de Uso coletivo de uma área de seis hectares — o último imóvel pendente de desapropriação —, após decisão de imissão de posse expedida pela Justiça Federal.

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Com essa assinatura, o território de Tabacaria atingiu a extensão total de 410 hectares regularizados para abrigar 115 famílias. A regularização permitiu que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) destinasse R$ 5,1 milhões em recursos do Crédito Instalação, na modalidade Habitação, para construir 54 novas moradas de alvenaria voltadas a jovens da própria comunidade que ainda residiam com os pais. O presidente da associação comunitária da Tabacaria, Elson Paulino, declarou sobre a conclusão do processo: “O Incra registrou e batizou um filho chamado Tabacaria, e nós somos gratos e reconhecemos que essa atuação foi decisiva na vida do nosso povo”.

Atualmente, outras 17 comunidades quilombolas alagoanas possuem processos abertos no Incra e aguardam o andamento das etapas administrativas para obter a regularização fundiária de seus territórios — entre elas Tabuleiro dos Negros, em Penedo, e Cajá dos Negros, no município de Batalha. Além da regularização fundiária, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciaram estudos na Tabacaria em 22 de maio de 2026 com o objetivo de levantar referências culturais locais para dar andamento ao processo de tombamento constitucional do quilombo.

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