Cidades
300 alagoanas no combate � viol�ncia
O projeto chega com seis meses de atraso. Mas não haveria momento mais oportuno para sair do papel. Quase ao mesmo tempo em que o Ministério da Justiça divulga pesquisa que aponta Maceió como a capital brasileira onde os jovens estão mais expostos à violência, o governo federal divulga lista das 300 mulheres selecionadas no Jacintinho, Vergel e Benedito Bentes para o projeto Mulheres da Paz, uma das apostas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) para combater a violência em regiões de risco. Depois de passar por um processo de seleção que recebeu quase três mil inscrições, elas terão a incumbência de tentar identificar na comunidade e resgatar para os projetos do Território da Paz os jovens em situação de risco, vulneráveis aos assédios do tráfico e da prostituição. ### Maristela testemunhou ação do tráfico Ela nasceu no Jacintinho, em Maceió. Aos 44 anos, acompanhou o avanço e a explosão da violência no bairro. Viu crianças filhas de famílias pacatas crescerem para depois ser cooptadas pelo tráfico, pela prostituição e pelo crime. Mas só compreendeu de fato o drama quando percebeu que um membro da família havia sido dominado pela droga. ?É uma coisa horrível, desestrutura qualquer família?, diz Maristela Vieira, uma das 100 mulheres selecionadas no bairro do Jacintinho para o projeto Mulheres da Paz. Foi a luta para salvar o sobrinho de 18 anos, cujo nome prefere não revelar, que a fez se engajar nos movimentos sociais do bairro. Membro da Associação de Mulheres do Jacintinho, Maristela não pensou duas vezes quando surgiu a oportunidade de se engajar ao Mulheres da Paz. Se inscreveu, rompeu as etapas de seleção e foi escolhida. ### Valmênia: luta social desde os 14 anos Representante das 100 Mulheres da Paz selecionadas no bairro do Vergel do Lago, Valmênia Santos, 22, começou cedo na militância por uma sociedade mais justa. Aos 14 anos, era eleita para a presidência do grêmio estudantil da Escola Edson Bernardes, no vergel. De lá para cá não parou mais. Hoje é membro da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e desenvolve vários projetos de conscientização de jovens em sua comunidade. ?É uma atividade que tem tudo a ver comigo. Por isso me inscrevi e fiquei muito contente de ter sido selecionada. Quero trabalhar para levar a esperança de mudanças para a comunidade. Eu e minhas companheiras selecionadas pretendemos estender uma grande bandeira banca no bairro do Vergel, a bandeira da paz?. Disse Valmênia, que nasceu e se criou no Vergel do Lago. ///