INVESTIGAÇÃO
CÚPULA DO COMANDO VERMELHO: PTK, Nem Catenga e outros cinco viram réus
Justiça determinou o sequestro de bens associados a PTK e avaliados em mais de R$ 3 milhões Justiça determinou o sequestro de bens associados a PTK e avaliados em mais de R$ 3 milhões
José Emerson da Silva (Nem Catenga), Patrick de Almeida Silva (PTK), Fabricio Barbosa dos Santos (Tinho), Kleber Santos da Silva (Klebinho), Ramon Vasconcelos Oliveira (Talismã), Carla Danyele Cadete Gonzaga e Viviane da Conceição da Silva se tornaram réus pelo crime de organização criminosa armada. De acordo com a Polícia Civil de Alagoas e com o Ministério Público de Alagoas (MPAL), esta é a cúpula da facção criminosa Comando Vermelho em Alagoas. A denúncia, aceita pela justiça no último dia 7 de agosto, detalha uma rede estruturada de crimes que passam também por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, tortura e homicídios. Tudo isso liderado à distância, direto do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, por Nem Catenga.
Como medida cautelar contra a facção, a Justiça determinou o sequestro de bens que estão em nome de parentes de PTK, que se apresenta nas redes sociais como influenciador digital. O bloqueio deve atingir até R$ 3,5 milhões. Estão bloqueados dois carros – uma Toyota Hilux ano 2019/2020, de cor branca, e um automóvel de luxo Volvo 2018/2019 –, avaliados em cerca de R$ 300 mil. PTK estava preso desde o dia 3 de junho deste ano por decisão da 17ª Vara Criminal da Capital.
No dia 19 de agosto, o Tribunal de Justiça de Alagoas concedeu um habeas corpus que garantiu que o influenciador respondesse ao processo fora do sistema prisional. PTK deveria usar tornozeleira eletrônica, mas o equipamento está em falta no Estado.
A previsão é de que ele compareça em juízo no dia 5 de outubro para instalar a tornozeleira em caso de disponibilidade.
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A TEIA CRIMINOSA
Segundo o Ministério Público Estadual, a organização criminosa Comando Vermelho é chefiada na capital alagoana por “Nem Catenga”, conhecido também como “Jovem” e “Abençoado”. Outro integrante que está foragido é Fabricio Barbosa, o Tinho, liderança operacional regional. Considerado de extrema confiança de “Nem Catenga”, ele tem três mandados de prisão em aberto e ostenta ficha criminal por homicídio, roubo e tráfico de drogas.
A denúncia também aponta que ele tem proteção dentro do Morro do Alemão e controla as finanças da facção no estado alagoano. No caso de PTK, a Justiça considerou que a investigação conseguiu demonstrar que há uma incompatibilidade “grave” entre o patrimônio real e a movimentação financeira “atípica” realizada por ele e que ele ostentava. Ao acatar a denúncia, a Justiça afirmou estar evidente que o influenciador usava parentes para ocultar o patrimônio proveniente do tráfico de drogas.
Nas redes sociais, ele exibe veículos de luxo, motos aquáticas e viagens, fatores que foram observados pelo órgão ministerial. O órgão acusador apontou que o influenciador usava estabelecimentos comerciais, a exemplo de lojas de celulares, para lavar o dinheiro do crime. Com esses artifícios, como o uso de familiares e de laranjas, ele teria movimentado quantias milionárias em transações consideradas pelo MPAL como atípicas e fragmentadas.
Kleber Santos da Silva (Klebinho), que também é procurado pelas autoridades policiais, é apontado como responsável por promover a expansão e o controle territorial da facção, que não se resumia a Maceió, mas também ao Litoral Norte de Alagoas, em cidades como Passo de Camaragibe, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras. As investigações o colocam como coordenador de um grupo armado – a Tropa do Klebinho – que usa técnicas de camuflagem e vigilância para proteger pontos de venda. As forças de segurança o colocam em ação junto com Ramon Vasconcelos (Talismã), que atuaria na parte alta de Maceió.
As táticas impostas por eles, segundo as apurações policiais, são de uso extremo de violência, com execuções por meio dos famosos “tribunais do crime”, envolvendo torturas, esquartejamentos, ocultações de cadáveres, eliminação de rivais ou de devedores.
O grupo contava ainda, segundo as investigações, com a ajuda das companheiras dos dois acusados – Viviane e Carla Danyele –, que cooperavam no compartilhamento de informações e na gestão financeira.