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Popula��o desconhece seu patrim�nio

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Durante anos, doceiras de Riacho Doce assaram bolos de macaxeira, massapuba e milho, tapiocas e brasileiras em um forno artesanal. A Casa do Forno, como era conhecido o local, tinha características tradicionais, mas uma briga de família pôs fim ao objeto responsável pelas delícias da região. Ainda existem outros fornos nas imediações, mas o que as pessoas não sabiam é que aquele que foi demolido era considerado um patrimônio, umas das 56 Unidades Especiais de Preservação (UEPs) catalogadas pela Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento (Sempla). Espalhadas por vários bairros, essas unidades são imóveis ou espaços urbanos, públicos ou privados, que têm relevância para a cidade por seu valor histórico e arquitetônico. As edificações são conhecidas da população maceioense, que cruzam com elas quando saem de casa. Talvez as observem sem nem conhecer sua importância para Maceió. ### Segredo dos bolos de Riacho Doce é o forno artesanal Quem vai à Praça Floriano Peixoto, em Ipioca, pode admirar o belo conjunto que o verde dos coqueirais faz com o azul do mar. O local transmite tranquilidade, com suas casas pequenas, a Igreja de Nossa Senhora do Ó emoldurando a paisagem. ?Mas já faz mais de dez anos que pintaram essa igreja e são os moradores que ajeitam a praça?, reclamou a doméstica Maria Elinete de Oliveira, 57, que mora no local há 20 anos. Ela não sabia que o banco da praça em que estava sentada, esperando um ônibus que demorava a chegar, fazia parte do patrimônio histórico. Lamentou-se das condições da estrutura de contenção do mirante Floriano Peixoto ? que fica no mesmo lugar, cujas laterais já começam a ceder. ### Imóveis sofrem algumas modificações No bairro do Farol, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural (DPHC), unidade ligada à Sempla, contabilizou 16 Unidades Especiais de Preservação (UEPs). São, em geral, residências, igrejas e escolas, como o Seminário Arquidiocesano de Maceió, Convento dos Capuchinhos, Mirante e Igreja de São Gonçalo. A antiga residência de Lizete Lyra, que já foi a Casa do Pão e hoje é a Le Caprice também faz parte dessa lista e suas últimas obras trouxeram preocupação para a diretora de patrimônio histórico e cultural da Sempla. ?Aquele ponto sofreu algumas modificações que vamos verificar. Se algo comprometeu o valor histórico, ele pode ser excluído da lista das UEPs?, afirmou Adeciany. ### Encontro discute situação das UEPs O dia do aniversário de 194 anos de Maceió, comemorado no último dia 9, foi a data escolhida para a realização de um encontro que debateu as UEPs. A atividade foi uma parceria entre a Sempla e a Ufal, representada pelo grupo de pesquisa em Representação do Lugar (Relu), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. ?Lugar, em Arquitetura, é o espaço impregnado de práticas sociais. Temos que fazer valer a importância da memória e isso tem que ser passado de geração em geração?, ressaltou a professora de Teoria e Técnica de Restauro da Ufal, Josemary Ferrare. Na ocasião, fichas com fotografias e explicações sobre os patrimônios catalogados foram entregues a cerca de 60 pessoas, entre estudantes, professores e cidadãos maceioenses que receberam a missão de fazer uma avaliação desses lugares, classificando o seu grau de importância como patrimônio. ///

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