MEIO AMBIENTE
Seca avança em Alagoas e atinge 69% do território estadual
Avanço da estiagem atinge maior nível desde fevereiro deste ano; No Sertão, Semarh prevê ondas de calor de até 40 °C
A área com registro de seca no estado de Alagoas expandiu de 66% para 69% do território entre os meses de julho e agosto, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e acompanhados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).
O avanço do fenômeno ocorreu devido à elevação do índice referente à categoria de seca moderada de 30% para 42% do território alagoano nesse período, motivada pelo término do período chuvoso na segunda quinzena de agosto com acumulados abaixo da média e pela atuação do fenômeno El Niño na estação da primavera.
O levantamento técnico da ANA indica que a extensão de 69% registrada em agosto representa o maior percentual de área atingida em Alagoas desde o mês de fevereiro, mês em que o fenômeno abrangia 100% do estado.
Em comparação aos demais estados da Região Nordeste, Alagoas registrou o menor percentual de área territorial afetada por seca no mês de agosto. De acordo com os registros da Superintendência de Prevenção em Desastres Naturais da Semarh, o Sertão encerrou o período de precipitação em agosto com um volume de chuva 40% abaixo da média histórica. Sobre a transição climática para a primavera, o meteorologista Vinícius Pinho, superintendente de Prevenção em Desastres Naturais da Semarh e coordenador da Sala de Alerta de Alagoas, detalhou o comportamento meteorológico no estado: “A primavera aqui na nossa região é caracterizada por ser essa fase de transição, onde a gente vai ter um aumento gradual das temperaturas em todo o estado e aumento principalmente da incidência dos ventos na nossa região”.
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A previsão elaborada pela Sala de Alerta sinaliza a ocorrência de ondas de calor entre os meses de outubro e novembro, com os termômetros registrando marcas próximas de 40 °C na região do Alto Sertão. Na mesma localidade e período, os dados apontam estimativas de umidade relativa do ar em índices inferiores ao patamar de 20% no horário da tarde.
Sobre a relação entre a elevação térmica e os recursos hídricos, o meteorologista explica que uma maior incidência de radiação solar ocasionam temperaturas mais altas. “Isso faz com que evapore mais e a gente tem uma diminuição também nas nossas recargas hídricas.”
Diante do panorama de escassez de precipitações, o coordenador da Sala de Alerta projeta a evolução do quadro para o território alagoano nos meses subsequentes. “Como a gente está em um período de pouquíssimas chuvas, a tendência é que essa situação piore consideravelmente em todo o estado, principalmente no Oeste do estado, no Sertão, no Sertão de São Francisco e no Agreste”.