TECNOLOGIA
Semáforos produzidos em Arapiraca são controlados por conexão bluetooth
Fabricação própria é feita em impressoras 3D; agentes usam aplicativo de celular para configurações
Pare. Espere. Siga. A sequência de luzes dos semáforos é a principal ferramenta de organização e segurança viária para condutores e pedestres nas cidades. Por trás das cores vermelha, amarela e verde, opera um sistema eletrônico responsável por determinar o tempo de passagem e o ritmo do tráfego.
Em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, o sistema semafórico passa por um processo de atualização técnica. A Superintendência de Transportes e Trânsito (SMTT) começou a substituir os equipamentos antigos por modelos com tecnologia Bluetooth. A inovação permite que os técnicos configurem e ajustem os tempos de sinalização sem fio, utilizando um aplicativo de celular no próprio local.
A rede municipal conta com cerca de 75 conjuntos semafóricos. Até o momento, três cruzamentos receberam os novos aparelhos em 2026: a interseção da Rua Domingos Correia com a Rua Boa Vista; a esquina da Rua Governador Luís Cavalcante com a Rua Delmiro Gouveia; e o cruzamento da Rua 30 de Outubro com a Rua Monsenhor Macedo. A prioridade de troca contempla pontos onde a estrutura antiga apresentava falhas frequentes.
Diferentemente do modelo tradicional de compra no mercado, os novos equipamentos são montados internamente por equipes do próprio município. A estrutura conta com oficina própria para a confecção de placas de sinalização, suportes metálicos, caixas de proteção, painéis auxiliares, luzes de LED e controladores eletrônicos. Os técnicos definem a especificação dos materiais, realizam a montagem e executam os testes de bancada antes da instalação nas vias.
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A reformulação ganhou impulso há quase dois anos com a chegada do técnico Ernani Santos, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), que desenvolveu os primeiros protótipos junto à equipe local. O projeto inclui também a fabricação, por meio de impressoras 3D, das caixas que abrigam os botões de acionamento para travessia de pedestres.
A decisão de trocar o sistema veio do desgaste das placas eletrônicas antigas, da escassez de peças de reposição e da dificuldade em programar o tempo dos sinais. No mercado especializado, o custo de um conjunto semafórico completo — composto por dois sinais veiculares, dois de pedestres, duas botoeiras, controlador e colunas de sustentação — varia entre R$ 70 mil e R$ 100 mil, sem incluir os custos de instalação. Com a montagem interna, o custo do material fica entre R$ 8 mil e R$ 9 mil por ponto.
A produção própria altera também a rotina de manutenção. Em caso de defeito, a equipe identifica a peça danificada e realiza a troca pontual, preservando o restante da estrutura em bom estado e evitando a substituição do conjunto inteiro.
O controlador eletrônico atua como a unidade central do semáforo, responsável por ditar a alternância das luzes conforme o fluxo de veículos de cada via. De acordo com o Manual Brasileiro de Sinalização Semafórica, a recomendação para cruzamentos urbanos é que o ciclo completo de transição do sinal não ultrapasse 120 segundos, reduzindo a retenção de veículos em filas.
As mudanças ocorrem de forma gradual e não têm prazo final para cobrir toda a cidade. Para o motorista e o pedestre, as alterações nos componentes internos não mudam a aparência externa do sinal.