Cidades
Chineses invadem Centro de Macei�
Eles já fazem parte do dia-a-dia da região central de Maceió. Os traços orientais, o sotaque, a maneira peculiar de se comunicar já não são novidades para os maceioenses. Basta uma caminhada pelas principais ruas do comércio local para se afirmar sem medo de errar: os chineses se instalaram definitivamente no Centro da cidade. São mais de dez lojas espalhadas pelas ruas Cincinato Pinto, Moreira Lima, Boa Vista, além de outros corredores de compras. Nos últimos dois anos, segundo informações de comerciantes, oito novas lojas foram abertas. A maioria revende o que os próprios chineses denominam de ?quinquilharia?. São canetas, chaveiros, brinquedos, rádios, bolsas, CDs e DVDs virgens, além de dezenas de produtos que já são bem conhecidos e explorados pelos camelôs do Centro. Apesar da qualidade duvidosa de alguns deles, os produtos vendem bem. Fazem a festa de consumidores que sempre buscam o menor preço, o que é uma das características dos produtos made in China. ### Busca por bom lugar atrai comerciantes A comerciante Chang Pi Chu nem havia completado um ano de vida quando chegou em Maceió. Aos 38 anos, Pi Chu é dona de uma loja de móveis, no Centro da cidade. Segundo ela, é a busca por um bom lugar para trabalhar e viver que tem trazido os comerciantes chineses para a capital alagoana. ?Alguns chineses que já moravam aqui, como minha tia e meu pai, que foram os primeiros a chegar, quando viajavam para São Paulo para comprar mercadoria, falavam sempre que Maceió era um bom lugar para se viver. Acho que isso atraiu outros chineses. Sem falar no custo de vida daqui que é muito barato?, diz ela. Segundo Chang Pi Chu, o número de comerciantes chineses em Maceió vem crescendo nos últimos anos. Ela não saberia dizer quantos vivem na capital. ?Sei que são muitos e todos que chegam têm que trabalhar bastante para poder se manter. Alguns chegam a trabalhar mais de 15 horas por dia?, conta. ### Lojistas do Centro temem concorrência Comerciantes locais estão preocupados com o que eles classificam de ?invasão chinesa? no comércio de Maceió. Os donos de loja que atuam no mesmo segmento explorado pelos chineses afirmam que não têm condições de competir com os preços baixos dos produtos made in China. O comerciante Valdemar Juvêncio, 68 anos, 27 dos quais dedicados ao comércio afirma que se as coisas continuarem do jeito que estão vai ter que fechar a loja. ?Tá vendo essa bolsa aqui. Compro por R$ 25 reais e estou vendendo por R$ 35, com muito esforço. É o menor preço que posso fazer. Mas os chineses vendem a mesma bolsa por R$ 30. Assim fica complicado. Os chineses não pagam impostos?, reclama Valdemar. ///