Cidades
Falta de recursos ainda castiga hospitais
Ninguém quer pagar a conta. Um impasse entre a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) e as prefeituras ameaça o funcionamento de 22 hospitais e 14 unidades de pronto-atendimento no interior de Alagoas. O problema se arrasta há décadas e ficou crítico no ano passado, quando um grupo de prefeitos ameaçou entregar as chaves dos estabelecimentos de saúde ao secretário Herbert Motta. O caos provocado pela limitação financeira foi apontado pela Gazeta de Alagoas, em abril do ano passado, numa reportagem que percorreu os hospitais de 18 municípios afetados pela crise. Logo depois, o governo firmou o Convênio de Auxílio Financeiro Emergencial aos Hospitais Municipais de Pequeno Porte, com a previsão orçamentária de R$ 14,5 milhões até o fim de 2009. ### Assistência ao folião será precária Os plantões de carnaval estão ameaçados na maioria dos hospitais do interior. Com as contas já em frangalhos pelo corte da verba estadual, os diretores afirmam que não têm condições de pagar pelas diárias dos médicos para atender ao aumento natural da demanda neste período de exageros etílicos e acidentes automobilísticos. Além de não dar conta dos custos previstos para o mês, os hospitais endividados não sabem como arcar com o custo extra de R$ 1.500 pela diária de cada médico durante a festa. ?Não temos de onde tirar esse dinheiro e não dá para assumir dívidas sem ter ideia de como quitá-las. Se não houver condições, não teremos esquema especial para o carnaval?, avisa a presidente do conselho de secretários. ### Centro cirúrgico encostado penaliza cidadão de Capela Capela ? Para se ter uma ideia do caos que castiga hospitais no interior do Estado, o Hospital de Capela foi inaugurado com um centro cirúrgico que nunca foi utilizado. Há 16 anos, o foco e os equipamentos cirúrgicos estão encostados, só são ligados pelo pessoal da manutenção para não danificar. Morando em Capela há trinta anos, o anestesiologista Estácio Augusto de Lima não aplica uma anestesia no município há 18 anos. O médico lembra que a equipe do antigo hospital realizava diversos tipos de cirurgia, mesmo funcionando numa instalação precária à margem do Rio Paraíba. Inclusive atendia pacientes de outros municípios, como Viçosa, Cajueiro, Atalaia e Pilar. ### Quebrangulo tem rombo de R$ 232 mil O prefeito de Quebrangulo, Marcelo Lima, faz as contas na ponta do lápis. ?Vou receber do governo federal R$ 116 mil para o atendimento de média complexidade nos próximos quatro meses, a despesa prevista para hospital e laboratório neste período é de R$ 348 mil, fiquei com um rombo de R$ 232 mil. A saúde está quebrada, não tem jeito não?, conclui o gestor. Com o corte dos R$ 20 mil que recebia por mês do Estado, o município agora vai ter que bancar com 66% da verba de custeio do hospital. ?Isso vai dar um caos, o município deixa de quitar os fornecedores, a prestação do serviço fica pior, a qualidade, que já é péssima, fica caótica?. ### Sesau promete mais ajuda aos hospitais A comissão técnica que discute alternativas para as unidades de saúde e pronto-atendimentos nos 36 municípios mais afetados pela redução do Fundo de Participação dos Municípios deve se reunir mais uma vez nesta segunda-feira, para definir a proposta final que será apresentada ao secretário de Estado da Saúde, Herbert Motta. Ele antecipou à Gazeta, por meio de nota oficial, estar disposto a resolver a questão dos hospitais. Para tal, reforçou a necessidade de redefinir dos valores reais dos custos de cada unidade, as formas de aplicação e o financiamento para pleitear recursos junto ao Ministério da Saúde. ///