Cidades
�ndios interditam BR-101 em Joaquim Gomes
SEVERINO CARVALHO Sucursal União dos Palmares ? Dessa vez foram os índios. Integrantes da aldeia wassu-cocal interditaram, por volta das 8 horas de ontem, o km 24 da BR-101, em Joaquim Gomes, em protesto contra o corte no fornecimento das cestas básicas distribuídas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a falta de incentivos à agricultura nas terras da aldeia por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai). À tarde, eles cobraram pedágio em meia pista. A rodovia só foi liberada no fim da tarde, com a chegada de 40 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) e agentes da Polícia Federal (PF). Os soldados do Bope evacuaram o trecho da rodovia e removeram paus e pedras que impediam o tráfego. O clima chegou a ficar tenso quando os homens do Bope formaram um cordão de isolamento na área. O índio Édson Joaquim da Silva, 25, denuncia que foi agredido durante a operação. ?Recebi tapas nas costas?, afirmou. Após o desbloqueio, uma comissão de índios reuniu-se com policiais federais para buscar soluções. Antes da chegada da tropa do Bope, a comissão já negociava a situação com o major PM Róbson Cavalcante e o inspetor Jéfersson Santos, da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O oficial agendou uma reunião, na próxima segunda-feira, às 10 horas, na Procuradoria Geral da República, com o procurador Delson Lyra e o administrador da Funai em Alagoas, Tiago Calheiros. Um dos líderes do movimento, Milton Francisco, alega que dos 2.640 hectares de terra da aldeia, apenas 800 estão sendo cultivados. Ele denuncia a falta de assistência técnica e de sementes para o plantio. ?Queremos ferramentasde trabalho no campo e saber dos projetos a que temos direito. Quando a verba chega, ninguém sabe para onde vai?, afirmou Francisco. Segundo o cacique da aldeia, Geová Onório, muitos índios estão passando fome.