Cidades
SMTT quer evitar a��o de clandestinos
Um homem que não possui Carteira Nacional de Habilitação, e que bebeu até as 4h da madrugada de domingo, acorda para o trabalho na segunda-feira, sai para lavar um carro alheio, pega a chave do veículo e sai em disparada, sem a autorização do proprietário. Aperreado, este sai correndo atrás e, poucos metros e minutos depois, se depara com a cena dramática: um acidente de trânsito, uma Besta escolar completamente destruída, duas crianças mortas e seis outras feridas. Tudo em pleno meio-dia e em plena região metropolitana de Maceió. O acidente que chocou a população alagoana na última segunda-feira (8) também despertou o órgão municipal responsável pelo transporte e trânsito de Rio Largo, município vizinho de Maceió, onde moravam e estudavam a maioria das crianças transportadas no veículo que ficou destruído com o choque inesperado na rodovia BR-104. ### Prefeitura intensifica a fiscalização Enquanto a regulamentação dos transportes escolares em Rio Largo está em andamento, ainda é possível encontrar no município flagrantes do descumprimento às exigências do Código Brasileiro de Trânsito. Por exemplo, a falta da faixa amarela com o dístico ?ESCOLAR? nas laterais dos veículos. A Gazeta encontrou dois deles estacionados em frente à escola Agnus Dei, onde estudava o menino Pedro Roberto Barbosa de Araujo, de 7 anos, que morreu na hora do acidente na BR-104, ocorrido nos limites entre Maceió e Rio Largo. Mesmo cadastradas na SMTT riolarguense, as Bestas não apresentavam as faixas amarelas, uma das exigências para poder realizar o transporte escolar em qualquer Estado do Brasil. ### Motoristas pedem mais fiscalização Responsabilidade é a palavra que rege o trabalho daqueles que realizam transporte escolar. É nesses motoristas que pais, mães, avós e demais familiares depositam a confiança e entregam filhos, netos, irmãos. Crianças que saem dos lares para as escolas e das escolas para as casas, sãos e salvos, diariamente. Em Maceió, o transporte diário custa, em média, entre R$ 140 e R$ 170 mensais, a depender do trajeto percorrido. Preço que cobre os gastos com combustível e a manutenção dos veículos, bem como a responsabilidade sobre os pequenos e os problemas enfrentados pela categoria no dia-a-dia. ### Transportadores desistem da profissão Os problemas enfrentados pelos transportadores escolares em Maceió geram ainda outra consequência, desta vez na SMTT da capital alagoana. A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito da cidade diminuiu nos últimos dois anos o número de veículos cadastrados para realizar o serviço. A informação é do chefe do setor de Transporte Escolar e de Turismo do órgão, José Manoel Lopes. Segundo ele, o Regulamento dos serviços de Transporte Público de Passageiros do município limita em 152 o número de veículos que podem realizar transporte escolar na cidade. ?Preenchemos essa quantidade na última licitação que fizemos, em 2007. Só que os motoristas desistiram de se recadastrar. Hoje só temos 137 regularizados?, revela José Manoel Lopes. ### Motorista continua detido Benilton Ferreira dos Santos, 47 anos, trabalhador informal, lavador de carros. Ele conduzia o Golf preto, de placa NMD 0265/Maceió-AL, que se chocou com a van escolar no último dia 8, matando duas crianças que sentavam na parte traseira do veículo e ferindo outras seis. Continua preso na delegacia de Rio Largo e deve ser indiciado por duplo homicídio culposo, embriaguez ao volante e apropriação indébita. ?Acho que bem ele não fica nunca mais depois dessa?, declarou uma irmã dele no dia do acidente. Marcus Vinícius de Sena Rosa, 35 anos, motorista. Ele conduzia a Van escolar, de placa MUJ-5071/Rio Largo-AL, que capotou ao ser atingida pelo Golf preto em alta velocidade na BR-104. Continua traumatizado e chocado com o acidente. ?O que está me segurando é a solidariedade das pessoas?, desabafa ele. ### Motorista da Van continua abalado com acidente ?Foi ele que achou o Pedrinho. Foi muito feio?, diz Marcus Vinícius, referindo-se ao menino Pedro Roberto Barbosa de Araujo, de 7 anos, morto na hora do acidente. A emoção não o deixa continuar. Retoma o raciocínio minutos depois e conta sobre o princípio de Ataque Vascular Cerebral, o AVC, que sofreu no velório de Mikael Alves da Silva Beneval, 8, ainda socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, mas que morreu a caminho do Hospital Geral do Estado. Na escola Agnus Dei, onde estudava ?Pedrinho?, as aulas voltaram parcialmente, para os alunos das séries mais avançadas. Totalmente, por causa do luto, só devem voltar no próximo dia 22. ///