Cidades
Dona de casa luta para continuar em s�tio
A recepção a quem chega tem a desconfiança de quem já se deparou com visitas pouco amistosas e se acostumou a viver sob ameaça desde o fim do ano passado. Após detalhada identificação, a senhora de 62 anos se dispôs a falar com a Gazeta sobre o drama por qual ela e seus familiares estão passando. Com o sorriso no rosto de quem relembra o esforço feito para o plantio e cultivo dos cajueiros, coqueiros, mangueiras e jaqueiras ? hoje transformados em pedaços de madeira amontoados no amplo espaço do terreno ?, a alegria some ao ver que tudo está prestes a ser mudado e que a luta pela terra segue sem previsão de um final feliz. ?Não quero um rio de dinheiro, só quero ficar aqui cuidando do que é meu. Eu amo esse lugar, aqui está a minha vida e a minha história, foi aqui que construí minha família. * Sob a supervisão da editoria de Cidades. ### Local será usado para ampliar loja Bem perto dali, o contraste social se evidencia. Do outro lado da rodovia, há menos de 15 metros, existe uma casa comercial que pertence a um empresário respeitado no bairro do Feitosa, José Mendes de Lima, que comprou o sítio de número 710 na intenção de ampliar o seu negócio. Com a escritura que foi registrada em Cartório de registro e imóveis nas mãos, enquanto concedia entrevista a nossa equipe de reportagem, José Mendes não escondia a insatisfação e o sentimento de frustração por ter comprado o terreno, do qual é dono por direito, e não poder de fato tomar posse dele. ### Associação tenta socorrer moradora É notório que no decorrer de um processo de luta por terras, sempre existirão conflitos, uma vez que estão em jogo interesses contrários, onde aqueles que possuem terras não querem perdê-las, e quem não as possui, muito as deseja. Contudo, o conflito não pode ser entendido como embate violento e desumano desses mesmos interesses, com uso indiscriminado da força em desrespeito ao direito à vida, seja por parte do proprietário ou por parte do ?invasor?. Quando se chega a esse ponto, como é o caso, é preciso recorrer à Justiça e contar com a força policial para que tudo seja resolvido de forma mais cordial possível. ///