Cidades
Condom�nios poluem praias de Macei�
A teimosia de condomínios de luxo e donos de imóveis que despejam esgoto na praia, nas ruas e galerias pluviais de Maceió não é de hoje. Foi preciso muita pressão do órgão ambiental, reforço na fiscalização, multas diárias de R$ 1.700 e uma guerra judicial para a podridão ao léu diminuir. Mais de 600 pontos de lançamento irregular foram flagrados só nos últimos cinco anos, e o Ministério Público Federal (MPF) recomendou o tamponamento dos esgotos clandestinos. A Justiça estadual tentou interceder e voltou atrás, manteve a questão a cargo do MPF, sob o argumento de que a poluição chega à praia, um bem da União. Com o tamponamento, a água usada na limpeza externa dos prédios deve ser canalizada até o esgoto senão voltará para os prédios. ### Dificuldade para resolver problema é considerada tosca O secretário municipal do Meio Ambiente de Maceió, Ricardo Ramalho, classifica a dificuldade para resolver o problema como uma coisa tosca, que caracteriza um descaso com o meio ambiente e com a saúde pública. ?Esta água de lavagem do piso e de piscina absolutamente não tem volume, estão fazendo um cavalo de batalha por causa de uma quantidade ínfima de líquido?. O ambientalista argumenta que a água da lavagem de fundo volta para a própria piscina e que a retrolavagem é feita em questão de segundos, uma vez por semana, o que despejaria bem pouca quantidade de água no sistema de esgoto. ?Seria como abrir um chuveiro durante dez minutos?, compara. ### Reunião discute problema dos esgotos Durante muito tempo se defendeu que a água da piscina e da limpeza de piso dos prédios fosse para a galeria pluvial, mas o órgão ambiental deu a última palavra e o MPF recomendou. Esta água é poluída e deve ser tratada como esgoto. No início da semana, o Crea promoveu uma reunião para começar a discutir o problema com técnicos da Casal, Sempma e Ademi, estabelecendo a necessidade de algumas pesquisas, consultas e prazos para resolver o impasse. A Casal deve pesquisar se as outras companhias de saneamento recebem esse tipo de água servida e apresentar as respostas em vinte dias. No mesmo prazo, a Ademi deve informar como as construtoras de outros Estados lidam com a questão no desenvolvimento de projetos residenciais e comerciais. Já a Sempma deve apresentar um estudo de caracterização quantitativa e qualitativa desses efluentes. A Casal também ficou de se pronunciar, nesta segunda-feira, sobre a liberação da água das piscinas. ### Sobrecarga aumenta nas chuvas Aloísio Ferreira destaca ainda que a sobrecarga do sistema é maior no período de chuvas e, por isso, o despejo de água deve ser evitado nessa época. ?Ficou padronizado entre os condomínios que a drenagem de fundo de piscina e lavagem de pisos só devem acontecer em tempo seco?. Mesmo assim, os prédios devem ter caixa separadora de óleo e caixas de areia, para evitar que esses resíduos provoquem um colapso na rede de esgotamento sanitário. Para o engenheiro, ligações clandestinas de residências que despejam água da chuva no esgoto da Casal constituem um dos problemas que mais prejudicam o já sobrecarregado sistema. ///