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Rio S�o Francisco esconde perigos para banhistas

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Penedo ? O Rio São Francisco encanta, refresca e mata. Como qualquer senhor de idade, o ?Velho Chico? merece respeito. A população ribeirinha sabe disso, conhece histórias tristes, não brinca com a correnteza e evita o fundo, mas quem vem de fora às vezes ignora o perigo. Antes mesmo da Lancha do Baixinho parar na Croa da Rocheira, em Penedo, alguns alunos mais afoitos da excursão de Arapiraca já se atiravam no rio. Os 32 adolescentes foram avisados que não podiam ficar com água acima da cintura, mas não adiantou. Cinco deles começaram a se afogar. Três foram salvos, dois morreram. O mergulho sem volta dos estudantes Bruno Félix de Souza, 17, e Yasmin Regina da Silva, 16, reforça as estatísticas de afogamento do 6º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM). Só nas duas primeiras semanas de março, ocorreram quatro mortes por este motivo. ### Afogamento levanta polêmica entre pais Penedo ? O afogamento dos dois estudantes na excursão levantou uma polêmica, pais ameaçam processar a escola, a Secretaria Estadual de Educação abriu uma sindicância, a polícia instaurou inquérito e o silêncio das testemunhas deu um ar de mistério ao episódio. Para não deixar essa história mal contada, a Gazeta embarcou para Penedo, percorreu trechos do rio no bote do Corpo de Bombeiros, visitou a Croa da Rocheira e conseguiu entrevistar, com exclusividade, o guia que conduziu a excursão e o dono da lancha. O guia Gladystone dos Santos, 38, e o piloto José Genildo de Lisboa, 25, o ?baixinho da lancha?, foram localizados na última quarta-feira, no Porto da Balsa, em Penedo. Eles tinham acabado de chegar da Croa do Rochedo. ?Voltamos pela primeira vez após o acidente para tirar fotos, analisar o local reunir informações para nos preservarmos (de um eventual processo)?, diz Glaystone, que se apresenta como guia turístico há 18 anos. ### Incidência de morte preocupa bombeiros Penedo ? Os casos de afogamentos são uma preocupação constante para os grupamentos de bombeiros do interior do Estado. Para se ter uma ideia, a incidência de mortes por este motivo durante o último carnaval foi muito maior em municípios do Sertão do que em Maceió ou nas cidades banhadas pelo mar e pelas lagoas. A combinação entre banhos de rio ou de cachoeira com o consumo de bebidas alcoólicas é fatal. Sediado em Penedo, o 6º GBM tem um efetivo de 63 militares para atender treze municípios do Baixo São Francisco, Litoral Sul e arredores. Apenas dois deles têm curso específico em salvamento aquático e nenhum atua como mergulhador. No entanto, eles recebem treinamento para fazer esse tipo de socorro e se esforçam para atender todos os chamados com urgência. ### Banhistas são atraídos à Prainha Doce | MAURÍCIO GONÇALVES - PATRÍCIA BASTOS / Repórteres O point mais procurado do Rio São Francisco em Penedo é a tradicional Prainha Doce, que reúne cerca de 1.500 pessoas aos domingos. Oito bares e lanchonetes espalham cadeiras pela areia e o esporte preferido dos frequentadores é o ?levantamento de copo?. A falta de orientação para os visitantes é notória, a própria Secretaria de Cultura e Turismo reconhece que a cidade não tem nenhum guia turístico habilitado. Alguns turistas se arriscam pelo rio sem nenhum acompanhamento, como os dois artesãos de Fortaleza que visitaram a Prainha e foram levados pela correnteza até a morte, em agosto do ano passado. Já em novembro, quatro visitantes contrataram um canoeiro por conta própria para fazer a travessia do rio, mas tinham bebido, ficaram fazendo farra, balançaram-se demais, a embarcação virou e um deles se afogou. ///

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