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Rio Para�ba do Meio sofre degrada��o
Viçosa ? ?Recebi o batismo dos rebeldes na cachoeira do meu rio natal/ Era meio-dia e o sol fulgurava no alto/ E nu, como um bárbaro antigo, recebi o choque das águas marulhantes/ O ruído grandioso da cachoeira sagrou-me rebelde para sempre?. O texto é a primeira estrofe de um poema do militante e ambientalista Octávio Brandão (1896-1980). Era jovem e corria livre pela Viçosa dos anos 1910, quando o escreveu. Naquela tempo ainda era possível ver poesia nas águas e nas cachoeiras do Rio Paraíba do Meio. Hoje, um século depois, o terceiro maior rio em extensão de Alagoas, depois do São Francisco e do Mundaú, está degradado e se transformou em problema de saúde pública. Suas águas estão contaminadas, assim como as águas da maioria dos rios alagoanos. As agressões ao grande rio são as mesmas já tão pontuadas, mas nunca resolvidas. Riacho se transforma em córrego fétido Viçosa ? Um dos principais afluentes do Rio Paraíba do Meio, no Vale do Paraíba, na região de Viçosa, o histórico Riacho do Meio, às margens do qual surgiu o município, não passa hoje de um córrego imundo e fétido. Transformou-se ao longo do tempo em um imenso esgoto para onde correm os dejetos das residências de Viçosa. Percorre agora os subterrâneos da cidade, depois que teve suas valas que cortam o Centro da cidade encobertas e pavimentadas, e vai desaguar criminoso no Paraíba. A reportagem da Gazeta saltou as pedras no leito do Rio Paraíba, contornou os poços infestados de aruás, o caramujo transmissor secundário da esquistossomose, desviou da sujeira que desce o rio, e encontrou o ponto exato onde o Riacho do Meio despeja sua sujeira no degradado Paraíba. O repórter fotográfico José Feitosa, nascido em Quebrangulo, no Vale do Paraíba, conhecedor da região, tomou um susto ao se deparar com a cena. Barriga d?água volta a ameaçar Viçosa Viçosa ? Na metade da década de 1970, a esquistossomose, conhecida também como ?barriga d?água?, matava cinco pessoas por mês, em Viçosa. Os pacientes já chegavam ao antigo Hospital Nossa Senhora da Conceição num estágio avançado da doença, apresentando varizes de grosso calibre no esôfago e vomitando sangue. O problema da falta de saneamento e da contaminação do Rio Paraíba já era grave à época e propiciava a explosão da doença. As informações acima são do médico de Viçosa, Marcos Vasconcelos, que há mais de trinta anos trata pacientes com esquistossomose na cidade. Para ele, a doença hoje está controlada no município. ?As medidas adotadas pelo governo federal na época, como a distribuição de medicamento, a construção de privadas nas casas e o trabalho dos agentes de saúde foram importantes para controlar a doença?, diz Marcos Vasconcelos, ao receber a reportagem da Gazeta em seu consultório, no Centro de Viçosa. ?Hoje, a juventude que tem entre 20 e 30 anos não tem esquistossomose?. Rio Paraíba é problema de saúde para cidades Cajueiro ? Em Cajueiro, a 71 quilômetros da capital, o Rio Paraíba se transformou em problema de saúde pública. Poluído e contaminado, assim como seus os afluentes no município, o Paraíba é hoje um gigantesco criatório do caramujo transmissor da esquistossomose. O município encabeça a lista das 70 cidades alagoanas que compõem a zona endêmica da esquistossomose, com assustadores 38,35% de índice de infestação de sua população. Para se ter uma ideia da gravidade do problema, o índice aceitável recomendado pelo Ministério da Saúde é de no máximo 5%. Depois de Cajueiro, no Vale do Paraíba, vem a cidade de Capela, com mais de 25% de sua população infectada pela esquistossomose. Além dos dois municípios, as outras cidades que formam o grupo dos dez municípios mais críticos são: Santana do Mundaú (21,4%), São Luís do Quitunde (19,4%), Pindoba (16,9%), São José da Lage (16,7%), Feira Grande (16,5%), Igreja Nova (14,8%), Campestre (14,18%) e Jequiá da Praia (13,9%). ###