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CPI vai investigar desaparecimentos

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Apesar de chocantes a ponto de se transformar em comoção, casos como os do menino José Sérgio Guedes e das meninas Cibele, Vitória e Jaciara são os mais raros entre os registros de desaparecimento de crianças e adolescentes, segundo o Fórum Estadual de Conselhos Tutelares de Alagoas. O primeiro, em que o garoto foi levado da porta da escola, passou dois anos em poder do sequestrador e só foi localizado no interior do Estado do Rio, representa menos de 5% das ocorrências. A descoberta do corpo de Cibele de Lima, de 4 anos, revoltou a população de Rio Largo de tal maneira que quase levou à invasão da delegacia local, em junho de 2009. Mesma reação tiveram os moradores do bairro Colina dos Eucaliptos, onde foram achados os corpos das primas Vitória e Jaciara, em outubro. Nos dois casos, as meninas também desapareceram, mas, ao contrário do desfecho do de Serginho, esses emocionaram pela dor: a reação popular foi para tentar linchar os homens que estupraram e depois mataram as três crianças, de 4, 5 e 6 anos, respectivamente. Trabalhos começam na segunda-feira Os trabalhos da ?Comissão Parlamentar de Inquérito Destinada a Investigar as Causas, as Consequências e Responsáveis pelo Desaparecimento de Crianças e Adolescentes no Brasil no período de 2005 a 2007? ? ou simplesmente, CPI do desaparecimento de crianças e adolescentes ? estão previsto para começar às 14 horas da segunda-feira da semana que vem, dia 12, no plenário da Assembleia Legislativa. ?A audiência em Alagoas estava marcada inicialmente para o dia 26 de março e, posteriormente, foi adiada para o dia 29. Mas, como algumas das pessoas que teríamos que consultar se encontravam em Campos, justamente para trazer Serginho de volta, tivemos de adiá-la, novamente para a primeira semana de abril. E então, veio a informação de que o local dos trabalhos passava por uma reforma. Por isso, essa data?, disse a presidente da CPI, deputada federal Bel Mesquita (PMDB-PA). Estado registra 120 desaparecimentos em quatro anos A CPI recebeu relatório da Secretaria de Defesa Social (Seds) mostrando que entre os anos de 2005 e 2009 foram registrados 120 desaparecimentos de crianças e adolescentes em Alagoas. A fuga de casa foi a causa mais comum, aparecendo em 59 casos. De acordo com os dados preparados pela Diretoria de Estatística e Informática da Seds, em nove casos a criança ou adolescente retornou para casa e em dois deles foi localizado. ?Não consigo confiar em nenhum dado estatístico, vindo de nenhum Estado, à exceção do Paraná. Lá existe um sistema confiável de registro de casos e acompanhamento. O treinamento para quem vai usá-lo é dado pela CIA (Agência de Inteligência dos Estados Unidos). Nos últimos 15 anos, apenas dois casos de desaparecimento de crianças e adolescentes não foram resolvidos lá. E pelo que percebemos, ainda continuam como uma ?espinha na garganta? para eles. Tanto que não consideram esses casos como arquivados?, diz a presidente da CPI. Ter cuidado de mãe é a melhor prevenção Para Nelma Nunes, integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Criança, uma das maneiras de prevenir o problema é tão simples quanto essencial para qualquer criança, ainda que, de tão óbvia, seja esquecida por muitos: ?É ter o cuidado de mãe. É saber onde o filho está, com quem está; é definir horário para voltar, quando pedir para sair. Foi o que levou à prisão do sequestrador: a mãe do outro menino que ele tentou levar, o Vitor Hugo, sentiu a falta dele e pediu ajuda. Mas é importante frisar: não dá para dizer que há um só culpado?. Ela reconhece que a vinda da CPI será alerta importante para a situação dos conselhos tutelares, primeiro lugar ao qual as mães recorrem numa situação como essa.

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