Cidades
Usu�rios invadem a capital alagoana
Mais do que os populares e praticamente ?extintos? cheira-colas, os viciados em crack têm assustado a população e incomodado as autoridades em Maceió. A qualquer hora do dia, em vários pontos da cidade ? como Centro, Jatiúca, Pajuçara e Ponta Verde ? é possível identificar usuários à procura ou consumindo a pedra. O aspecto geralmente esquelético e o completo descuido com a higiene pessoal denunciam que já estão à mercê do vício. Em alguns casos, os dependentes químicos perambulam feito ?zumbis?, transitando abertamente por várias áreas da cidade. Para manter o vício, a maioria esmola, vigia carros, cata latas e se envolve em furtos. Objetos como celulares são alvo preferido das ações mais violentas, muitas vezes cometidas com armas de brinquedo. Lojistas do Centro cobram posição Se de um lado o Judiciário busca alternativas, os lojistas que convivem com o problema há vários anos cobram uma posição das autoridades. Na semana passada, o presidente da Aliança Comercial, João Correia Barros, falou com preocupação da presença dos dependentes químicos no Centro de Maceió. Falando em nome do setor, ele reconheceu os avanços que a revitalização do Centro vai trazer para os negócios, mas se queixou do vai e vem de usuários de drogas ? infelizmente não ?contemplados? no projeto de revitalização. ?Percebemos o trabalho de revitalização como algo importante, mas não fizeram nada para retirar os viciados do Centro. Isso acaba por assustar as pessoas e afastá-las daqui?, desabafou Correia. Área próxima a mercado virou uma cracolândia O temor de todos direta ou indiretamente ligados ao Centro de Maceió é de que a área se transforme numa verdadeira cracolândia. A expressão surgiu em São Paulo, mas se espalhou pelo País com o avanço da droga. Até ao lado da Praça dos Três Poderes, em Brasília, é possível flagrar o consumo aberto do entorpecente. Na prática, a cracolândia se refere a um local onde os viciados se juntam para fumar o crack. As pedras, que mais parecem grãos, são refugos do processo de refino da cocaína. Potente, ela chega ao cérebro mais rápido e some em uma ou duas horas. Esse efeito-relâmpago obriga o viciado a buscá-la novamente. Nas imediações do Centro ? por trás do Mercado de Artesanato e a 500 metros de um colégio ? existe uma cracolândia. O movimento de pessoas, em geral jovens, acontece em horários específicos. As pessoas que trabalham na área já sabem que os aglomerados se formam no início da manhã e no fim da tarde. Mas ao longo do dia, quem consegue a pedra, passa por lá para queimá-la.