Cidades
L�der da CPT denuncia venda de lotes
São Miguel dos Milagres ? O Assentamento Jubileu 2000, em São Miguel dos Milagres, Litoral Norte de Alagoas, foi assim denominado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em homenagem ao nascimento de Jesus Cristo. Dez anos após a imissão de posse da terra, porém, a redenção econômica das famílias que lá trabalham e residem está longe de acontecer. Endividados e sem estradas para escoar a produção, os assentados acabam se rendendo ao assédio dos que vivem na cidade. Eles vendem ou arrendam os lotes e até mesmo as moradias. Quem se levanta para impedir o comércio ilegal é ameaçado de morte. A missionária franciscana e agente da CPT, irmã Cícera Menezes, já acumula duas ameaças, mas promete continuar lutando em defesa da reforma agrária. Assentamento vira ?favela rural? A situação de miséria a que estão submetidos muitos assentados acaba fragilizando-os. Eles se tornam presas fáceis para os que detêm o poder econômico. Sem alternativa, vendem os lotes e desistem do sonho de ter um pedaço de terra. ?O objetivo da reforma agrária é dar condições de as famílias sobreviverem da terra, mas muitas delas não têm conseguido sobreviver. O que tem muito é gente vivendo de Bolsa Família, fazendo um bico aqui e outro acolá nas fazendas vizinhas. Muitos assentamentos se transformaram em verdadeiras favelas rurais. É verdade que existem os exemplos de sucesso, os que se destacam na criação de peixe, fruticultura, mel, mas não são a maioria?, disse Cícera Menezes . Comércio ocorre em outras regiões A missionária franciscana e agente da CPT, Cícera Menezes, lembra que o comércio ilegal de lotes de terra ocorre em outros assentamentos do Estado. Na região Norte, a venda de parcelas cresce em Maragogi, São Luís do Quitunde e Porto Calvo. O assunto será discutido em audiência com o superintendente do Incra em Alagoas, Estevão Oliveira, às 10 horas na sede do órgão federal em Maceió, na próxima quarta-feira. ?Vamos cobrar uma posição mais firme do Incra e envolver o Ministério Público Federal (MPF) para dar uma basta nesta ilegalidade?, disse o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima. Na opinião dele, a Comissão de Regularização de Lotes criada pelo Incra pouco fez para conter a farra do comércio ilegal de parcelas nos assentamentos criados em Alagoas.