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Cresce ocupa��o de �reas de risco

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Maragogi ? O inverno ainda não começou, mas as últimas chuvaradas já foram suficientes para expor um problema que vem se agravando ao longo dos anos em Maragogi: a ocupação de áreas de risco. Excluídas e vítimas da voraz especulação imobiliária, populações carentes avançam sobre morros, encostas e até áreas verdes do município praiano. A indolência da fiscalização municipal também contribui para que as invasões prosperem. A falta de uma política pública de habitação só aumenta a aflição dos que já vivem no limite. ?Ninguém dorme por aqui, quando chove?. O desabafo é do garçom desempregado Luiz Gonzaga Davi Lopes, 40 anos. Ele mora com a companheira numa casa singela construída dentro de uma área verde invadida em 2004, pertencente ao Condomínio Parque dos Coqueiros, Distrito de Barra Grande. Naquele ano, famílias que viviam pagando aluguel em moradias localizadas na cidade ocuparam o terreno que fica por trás do Posto Fiscal. A invasão contou com a cumplicidade da prefeitura, à época administrada pelo então prefeito Antônio Lira, que não ingressou com ação de reintegração de posse. Era o período pré-eleitoral. ?Risca Faca? cai no esquecimento As famílias sem-teto foram retiradas das margens da AL-101 Norte, em 2007, com a promessa de que seriam contempladas com casas populares pela Prefeitura de Maragogi. A desocupação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Trânsito (DER) com a colaboração do município e do Ministério Público Estadual (MPE). Quase três anos depois, elas permanecem na mesma área disponibilizada pela prefeitura, conhecida como ?Risca Faca?. O que seria um acampamento provisório, tornou-se perpétuo para quem vive metido na lama, no esgoto, sob nuvens de mosquitos, e ainda ameaçado por deslizamentos de barreiras. ?Eu não consigo fazer nenhuma refeição na cozinha porque o fedor do esgoto que corre a céu aberto não deixa. Agora com as chuvas, a situação é ainda pior porque a água suja invade a casa. É esgoto por todos os lados?, lamenta Eliane Maria da Silva, 22 anos. Famílias insistem em ficar em áreas perigosas A coordenadora da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec) de Maragogi, Aliete Estandislau, informou que já tem o mapeamento de todas as áreas de risco. Ela encaminhou o documento à prefeitura e vai cobrar uma fiscalização mais rigorosa para evitar novas invasões e possíveis tragédias por causa das chuvas. ?Estou muito preocupada com a ocupação que está acontecendo nas proximidades do cemitério. Estão cortando os morros e construindo?, alertou Aliete. Dentre as áreas de risco mais críticas citadas por ela estão o Alto do Cuscuz, no distrito de São Bento; o Conjunto Evangélico (Candinha) e o Alto da Boa Vista. A Gazeta esteve nesta localidade e constatou que muitos imóveis estão prestes a desabar. Mesmo trabalhando como servente de pedreiro, Josemir José dos Santos, 28 anos, não conseguiu juntar dinheiro para comprar material e reabilitar a parede da residência onde mora, que de tanta inclinação formou ?uma barriga? (saliência).

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