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Aterro sanit�rio completa dez dias de funcionamento

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No céu, nem sinal de urubus. No chão, nada do zumbido incômodo das moscas. Nem de longe o cenário lembra a montanha de lixo desordenada e irregular, no alto de Jacarecica, que, durante mais de 40 anos, foi o endereço final do lixo produzido na capital alagoana. Inaugurada no dia 31 de maio, a primeira das quatro células da Central de Tratamento de Resíduos de Maceió (CTR), localizada em uma área de 149 hectares, entre os bairros de Guaxuma e do Benedito Bentes, completa hoje dez dias de funcionamento. A paisagem já é bem diferente daquela divulgada no dia da inauguração, afinal mais de 14 mil toneladas de lixo já estão sendo tratadas no chamado ?aterro sanitário? de Maceió. Mistura de resíduos atrapalha trabalhos Na última quinta-feira, conforme a reportaem da Gazeta pôde conferir, o movimento de caminhões e caçambas de lixo que fazem o percurso entre a portaria e a balança de pesagem de resíduos atestavam a plena atividade da Central de Tratamento de Resíduos de Maceió (CTR). A fiscalização tanto na entrada quanto na balança chamava a atenção para a preocupação com o primeiro ?entrave? identificado nos primeiros dias de funcionamento do ?aterro sanitário?. Trabalhador protesta contra fim de Lixão PARA ELES, FALTAM POLÍTICAS PÚBLICAS QUE ASSEGUREM SUBSTITUIÇÃO DA RENDA PERDIDA; PREFEITURA DE MACEIÓ AFIRMA QUE BUSCA SOLUÇÃO | LELO MACENA Repórter Enquanto autoridades, ambientalistas e parte da população comemoram a inauguração do aterro sanitário, centenas de catadores de lixo amargam o fim das operações do antigo Lixão de Jacarecica, de onde retiravam o sustento. O fechamento ocorreu ao mesmo tempo em que era anunciado o início das operações na Central de Tratamento de Resíduos de Maceió (CTR). Embora o poder público afirme que nenhuma das famílias que viviam do Lixão ficará desassistida, os catadores foram às ruas e fizeram protesto contra a falta de políticas públicas que assegurem de imediato a substituição da renda perdida por eles por causa do fechamento do antigo Lixão de Jacarecica. Na última quarta-feira, os catadores chegaram a ocupar o estacionamento da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, onde uma comissão de secretários municipais estava reunida com a secretária Solange Jurema. Os catadores de lixo ameaçaram invadir a secretaria, mas desistiram depois que garantiram a presença de um representante na reunião. O secretário municipal de Assistência Social, Francisco Araújo, garantiu que o poder municipal, por meio de todas as secretarias, está desenvolvendo projetos que garantam a reinserção dos catadores no mercado de trabalho. ?Temos todo um calendário de ações que já vinha sendo desenvolvido. Já conseguimos inserir 40 catadores no mercado de trabalho e ao Estado deve garantir cerca de quarenta bolsas para outros catadores de lixo. Além disso tem as famílias que são beneficiadas pelos programas federais, como o Bolsa Família e o PET. Não fugiremos da nossa responsabilidade social. Os catadores precisam confiar no poder público?. Catadores da Vila Emater ficam ?órfãos? Na Vila Emater 2, nos fundos do Lixão, onde vivem centenas de catadores que sobreviviam catando material reciclável no local, o clima é de desolação e revolta. ?Não sei o que vou fazer para sustentar a minha família. Não tem mais o que catar aqui, o lixo está indo lá para o novo aterro?, reclama o catador Manoel Francisco, 60 anos, 16 dos quais dedicados à catação de lixo.

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