Cidades
N�mero de mortos sobe para 29 no Estado
Passado o susto das enchentes que destruíram 22 cidades alagoanas, é hora de localizar os mortos. O contador da tragédia, de proporções similares à soma de uma ?tsunami? com terremoto, já soma 29 mortes. Na manhã de ontem, mais três corpos foram descobertos sob a lama e os escombros. Os cadáveres apresentavam dezenas de escoriações e estavam em pontos diferentes de uma mesma área, no município de Branquinha. O grau de deformação dos corpos ajuda a dimensionar a violência a que foram submetidos enquanto eram levados rio abaixo. A Defesa Civil alagoana, responsável pela coordenação dos trabalhos de resgate, não forneceu mais detalhes sobre as vítimas. Ainda é desconhecida, por exemplo, a origem delas. Não está descartada a possibilidade de que tenham vindo da vizinha cidade de União dos Palmares, localizada geograficamente acima de Branquinha. Aeronaves distribuem medicamentos | FELIPE FARIAS - Chefe de Reportagem Oito aeronaves foram mobilizadas para o transporte de mantimentos e medicamentos para os flagelados da cheia em Alagoas ontem, incluindo um Boeing da Força Aérea Brasileira (FAB) que trouxe 25 toneladas de produtos vindos de São Paulo e Rio Grande do Sul. A distribuição esteve concentrada no Vale do Mundaú e o primeiro destino das operações de ontem foi a cidade de Santana do Mundaú, onde havia 12 mil pessoas afetadas, sendo 3.750 desalojadas (que saíram de casa) e 500 desabrigadas (que perderam as residências), segundo a Defesa Civil. As aeronaves também foram utilizadas em sobrevoos para localizar famílias ou localidades ainda isoladas, danos a vias de acesso e para remoções. Polícia teme saques e reforça segurança | MARCOS RODRIGUES - Repórter Temendo distúrbios civis e saques a supermercados de cidades atingidas pelas enchentes, a Polícia Militar decidiu reforçar a segurança. Os rumores de ataque, pela multidão de famintos, foram confirmados pelo comandante do Policiamento do Interior, coronel Paulo Sérgio. ?A nossa medida teve caráter preventivo, mas felizmente não foi confirmado nada, apenas rumores. Entretanto, nós sabemos que depois de tudo isso as pessoas têm cuidado com o pouco que sobrou. Então, para evitar a ação de algum malandro, estamos mobilizados?, justificou o comandante. Em princípio, ele disse que os militares dos 6º e 2º batalhões e da Companhia Independente de Novo Lino estarão empenhados na assistência às vítimas e garantia da ordem pública. A proposta é que, em meio ao caos, as autoridades possam trabalhar com tranquilidade. Chuvas destroem registros em cartórios Em meio ao trabalho de restauração das condições de moradia, os donos de cartórios civis têm outra preocupação: recuperar a memória registrada das pessoas e cidades. Inúmeros documentos, cópias de certidões, escrituras e livros de registros foram destruídos ou até mesmo levados pelas águas. A força da enxurrada não poupou os prédios onde a população registrava e tirava documentos importantes, como o registro de imóveis. Considerado um dos mais importantes, servirá para auxiliar o encaminhamento dos pedidos da construção de casas para os desabrigados. Entretanto, segundo o vice-presidente em execício da Associação dos Registradores das Pessoas Naturais (Arpen), José Carlos Araújo, houve casos em que os donos se preocuparam mais com os documentos. MR Desabrigados terão ajuda de força-tarefa | GILVAN FERREIRA - Repórter Uma força-tarefa da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) foi deslocada, ontem, para nove dos 22 municípios mais afetados pelas enchentes que atingiram o Estado de Alagoas, no último fim de semana. A visita dos técnicos de saúde aos municípios de Quebrangulo, Jacuípe, Matriz do Camaragibe, Rio Largo, União dos Palmares, Murici, Branquinha, Santana do Mundaú e Paulo Jacinto teve como objetivo avaliar a situação sanitária das cidades e implantar ações para evitar o aparecimento de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose, hepatite A, febre tifóide e doenças infecciosas respiratórias. Hospitais de campanha são instalados | SEVERINO CARVALHO - Repórter Maragogi ? Dois hospitais de campanha começam a ser instalados hoje no Vale do Mundaú, em Alagoas. De acordo com o superintendente de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Vanilo Soares, as unidades funcionarão em Branquinha e Santana do Mundaú, devastadas pelas enchentes. Ele descartou a instalação de um outro hospital de campanha em Jacuípe, na região Norte. ?Apesar da dificuldade de acesso a Jacuípe, os médicos do Programa de Saúde da Família (PSF) estão realizando o atendimento à população. Definimos a instalação em Branquinha e Santana do Mundaú pelo grau de destruição. Verificamos que as unidades de saúde em Branquinha foram devastadas. Em Santana do Mundaú, a situação é ainda pior. O Haiti é pintinho?, disse, comparando a catástrofe alagoana ao terremoto que devastou aquele país. Cidades continuam sem energia elétrica | LARYSSA OLIVEIRA * - Estagiária Quatro dias após as enchentes que afetaram 22 municípios de Alagoas, pelo menos sete ainda permanecem sem energia. De acordo com informações do engenheiro-assistente da diretoria da Eletrobras Distribuição Alagoas, José de Bastos Pereira, em uma estimativa inicial, os técnicos verificaram que a rede elétrica foi bastante danificada. Só nos municípios de União dos Palmares, Branquinha e Murici ? onde foi feita a vistoria ?, mais de 300 postes tombaram, quebraram ou foram levados pela correnteza. Pelo menos as cidades de Branquinha, São José da Laje, Ibateguara, Santana do Mundaú e uma grande parte de Quebrangulo e dos bairros atingidos de Rio Largo estão sem o fornecimento de energia. * Sob supervisão da editoria de Cidades. Área de risco é vistoriada em Maceió | BLEINE OLIVEIRA - Repórter A interdição, hoje, de duas casas e de parte de um lava a jato, situados na Avenida Leste Oeste, é o primeiro resultado da fiscalização preventiva e integrada que o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea/AL) realizou, ontem, no Vale do Reginaldo. O objetivo da vistoria, segundo o assessor técnico do conselho, engenheiro civil Jackson Cabral, foi verificar a situação das barreiras no entorno da localidade e identificar possíveis riscos de deslizamento. Um relatório mais detalhado, com outras providências, começa a ser produzido a partir de segunda-feira, 28, quando todos os órgãos que participaram da inspeção de ontem voltam a se reunir, na sede do Crea/AL. ?Essa interdição, que será feita pela Defesa Civil Municipal, é o início do trabalho. Outras medidas serão definidas com base nos relatórios de cada órgão?, disse o engenheiro.