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“A �gua � disputada como se fosse ouro”

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São José da Tapera ? Enquanto doações de água mineral não param de chegar para os desabrigados das enchentes, no Sertão as famílias já estão acostumadas a beber uma água de gosto e cheiro ruins, que vem de barreiros que servem também para lavar roupas e dar de beber aos animais. Essa é uma situação que se repete em várias comunidades rurais, assim como no povoado Caboclo, que pertence ao município de São José da Tapera. ?Se acaba a água do caminhão-pipa, o jeito é trazer do barreiro para cozinhar e beber?, afirma a moradora Marineide Evaristo da Silva. Ela, assim como a filha, acostumou desde cedo a carregar baldes de água na cabeça. Quando a reportagem da Gazeta de Alagoas esteve no povoado, a dona de casa se dizia cansada, mas feliz, porque naquele dia a água que trazia vinha do reservatório, que horas antes havia sido abastecido por um carro-pipa enviado pela prefeitura. Há 4 anos não sai líquido das torneiras Craíbas ? O problema não é exclusivo do Sertão alagoano. Enquanto nas cidades do Agreste a população já se acostumou a ter água na torneira poucos dias na semana, existem localidades rurais que apesar de possuir rede de água, faz quatro anos que o líquido pingou pela última vez. Esse é o caso dos moradores da comunidade Lagoa do Algodão, no município de Craíbas. Lá, a população não pode contar sequer com um caminhão-pipa. O único que é enviado, uma vez por semana, abastece exclusivamente a escola e o posto de saúde, deixando a comunidade com poucas alternativas além de se abastecer dos barreiros poluídos. ?Para dar de beber aos animais e para a roça tem que ser água do barreiro mesmo. Tem esse cheiro ruim, mas não sei como a gente passaria se não tivesse?, afirmou o José Bezerra.

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