Pressão fiscal
Planalto impõe metas à Receita e amplia desgaste com política arrecadatória


PODER SEM PUDOR: O ‘furto’ que não houve
Brasília não merece mesmo a fama dos políticos que a frequentam. Quando renunciou ao mandato, na esperança de retornar ao poder pelas mãos dos militares, Jânio Quadros pediu ao ajudante de ordens, major Amarante, que deixasse no Palácio da Alvorada um terno e um par de sapatos. Mais tarde, em 1978, conforme relato de Murilo Melo Filho em seu soberbo Tempo Diferente (ed. Topbooks, Rio, 295 pp.), Jânio contaria uma lorota à revista Manchete:
— A Presidência da República não me deu nada. Pelo contrário, andou me tirando. Lá, furtaram-me um terno, uma camisa e um par de sapatos…
Lula atormenta Receita com ‘metas de arrecadação’
Sob o comando de Fernando “Taxxad” Haddad desde o início do atual governo, o Ministério da Fazenda tem pressionado a Receita Federal com metas mensais de arrecadação atribuídas a Lula (PT), onerando cada vez mais o pagador de impostos. Isso tem gerado ruídos, pressão excessiva e contratempos ao trabalho técnico da Receita, que, não por acaso, trocou o comando da assessoria de comunicação em Brasília — mais uma vez sem recorrer a profissionais especializados na área.
Crise de credibilidade
A mudança ocorre em meio a uma crise de credibilidade da Receita, agravada por dezenas de aumentos de tributos no governo Lula.
Comunicação confusa
Internamente, servidores de áreas técnicas como Tributação, Aduana e Fiscalização têm criticado a comunicação confusa do órgão.
Jornalistas proibidos
Agora, o auditor-fiscal Daniel Belmiro assumiu o lugar do analista-tributário Daniel Alencar no comando da Comunicação da Receita.
Vítimas desinformadas
As decisões sobre criação de impostos e aumento de alíquotas estariam sendo divulgadas de maneira que dificulta a compreensão da “tunga”.
Lula ignora Câmara para despachos privados
A agenda oficial do presidente Lula (PT) ilustra bem a dificuldade que o petista tem enfrentado na Câmara. Acostumado à velha política do escambo — contando com votos de partidos que assumem algum ministério —, não recebeu nenhum deputado para despacho privado em 2025. O desempenho é ainda pior que o de 2024, quando recebeu apenas quatro deputados, sendo três petistas e Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e respeitado pelos colegas.
Bem parecido
No Senado, a situação não é muito diferente. Apenas uma visita foi registrada: a da senadora Leila Barros (PDT), recebida após oito meses de espera.
Na mão
Encontros com governadores também rarearam em 2025: apenas três reuniões privadas, todas com nomes alinhados ao Planalto.
Companheirada
Os três governadores recebidos por Lula foram Helder Barbalho (MDB-PA), Renato Casagrande (PSB-ES) e Carlos Brandão (ex-PSB-MA).
Matemática
Vice-líder da oposição na Câmara, Sanderson (PL-RS) lembra que, após 25 anos de governos de esquerda, o Brasil figura em sétimo lugar no vergonhoso ranking de países mais violentos do mundo.
Caravana furada
Com o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) escalado para divulgar o governo Lula pelo País, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) lista alguns “feitos” do petista, como a roubalheira no INSS.
Recordar é viver
Eduardo Bolsonaro recorda que a posse do presidente do Irã — país que executa civis indiscriminadamente — contou com a presença de um membro do governo brasileiro: o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) esteve lá.
Licitação de ouro
Alvo da PF em processo sobre falcatruas com emendas parlamentares, o deputado Félix Mendonça Filho (PDT-BA) destinou quase 60% dos recursos para obras. Logo atrás vêm compra de bens (27,4%) e serviços (11,4%).
É um purgante
Quando decidiu deixar o Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski baixou a guarda da discrição ao comentar as dificuldades de trato com o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Silêncio constrangedor
Foram 16 dias de absoluto silêncio do governo Lula até que o Itamaraty divulgasse uma nota econômica sobre a situação no Irã, que já registra mais de 2 mil mortes de civis. Ainda assim, nada de condenar os assassinatos.
Metade reprova
A primeira pesquisa do ano eleitoral (Canal Meio/Instituto Ideia) traz má notícia para Lula, que tentará a reeleição: o petista tem 50% de reprovação entre os eleitores.
Escanteio
No Planalto, auxiliares de Lula afirmam que o petista até ouviu o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para suceder Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça, mas sequer considerou o senador.
Pensando bem…
…para quem investiu, restou um prejuízo master.

