Bastidores do poder
Escândalos do INSS e do Banco Master têm Lewandowski em comum

O atual desgoverno nos jogou de volta ao abismo de 2015”

Américo Farias teve 120 mil votos em 2,5 milhões, quando, em 1986, se candidatou ao Senado por Santa Catarina. Quatro anos depois, tentaria o governo do Estado pelo PRN, mas ninguém acreditava nas suas chances. Certa vez, ao encontrar em Rio do Sul um candidato a deputado, Alexandre Traple, Farias encheu o peito: “Você está falando com o futuro governador!”. Traple não perdeu a piada e respondeu em italiano: “Piacere, io sono il Papa (Prazer, eu sou o Papa)!…”
CPMI do INSS e Master têm Lewandowski em comum
Dois dos maiores escândalos da atualidade têm em comum o sobrenome Lewandowski entre os personagens. No caso do INSS, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (CEBAP) contrataram Enrique Lewandowski como advogado no processo que investiga a ladroagem contra velhinhos e pensionistas. O mesmo padrão se repete na bilionária fraude envolvendo o Banco Master.
Pagamento na veia
O Master contratou o escritório da família Lewandowski, com o patriarca já na cadeira de ministro da Justiça, mediante R$ 250 mil mensais.
Ministro no pacote?
Enrique é filho de Lewandowski, que era ministro da Justiça na vigência do contrato. A Polícia Federal é subordinada ao titular do ministério.
CPMI deve convocar
Pedido de convocação de Enrique Lewandowski aguarda votação. Cita o “peso” e a “influência” de ser “filho do então ministro”.
Quebra de sigilo
Requerimento da deputada Bia Kicis (PL-DF) para quebrar o sigilo bancário de Enrique, mirando o INSS, pode trazer muito mais que isso.
Congresso deve focar no Master e poupar Toffoli
Apesar da ofensiva da oposição contra a atuação de Dias Toffoli no processo envolvendo o Banco Master, as chances de algo contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) andar no Senado, como um pedido de impeachment, são perto de zero, como já avisou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), aos colegas. O mesmo vale para o ministro Alexandre de Moraes. À coluna, Magno Malta (PL-ES) disse que, com o recomeço dos trabalhos, na semana que vem, a pressão aumenta.
Sem sonsice
“Não dá mais para fingir que não está acontecendo nada”, diz Malta ao protocolar novas denúncias e pedir o impeachment de Toffoli.
Caso Tayayá
Além de Malta, Eduardo Girão (Novo-CE) também assina o aditamento e diz ter indícios de “conflito de interesses, suspeição e parcialidade”.
Boi de piranha
No Congresso, a aposta é que, se sair, será uma versão light de CPI e com foco no cambalacho do Master. E isso no Senado. Na Câmara, esquece.
Consignados na mira
A CPMI do INSS vai pra cima dos 338.600 contratos de empréstimos consignados do Banco Master, entre 2021 e 2025. Cerca de 252 mil (74,3%) desse total não teriam sido autorizados pelos aposentados.
Tá no TCU
Adriana Ventura (Novo-SP) vê como campanha antecipada e desvio de finalidade o repasse de R$ 1 milhão para escola de samba que tem Lula no enredo. A deputada diz que falta vergonha na cara: “É uma chacota”.
Só piora
O conselho tutelar de Ribeirão Claro (PR) foi cobrado pela senadora Damares Alves (Rep-DF) após crianças serem flagradas na jogatina que rola no resort Tayayá, epicentro de escândalo ligando o Master e o STF.
É um exemplo
Voltou a circular nas redes sociais declaração de Ricardo Lewandowski de que Dias Toffoli (STF) “é um exemplo”. O palco da declaração foi um evento patrocinado pelo Master e a JBS, aquela, em 2024.
Nem aí
Carlos Jordy (PL-RJ) se espanta com a desfaçatez de ministros ligados ao escândalo do Banco Master, calados até agora: “Não se preocupam em tentar explicar os fatos”, critica o deputado.
Na pressão
Deve sair nos próximos dias um pedido coletivo de impeachment de Dias Toffoli. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) está buscando signatários no Senado e diz já ter 15 assinaturas. Outro que não deve prosperar.
Vorcaro na CPMI
A primeira sessão da CPMI do INSS, marcada para a próxima quinta-feira (5), deve ter o enrolado e bem relacionado dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no banco dos depoentes.
Às claras
Marcel van Hattem (Novo-RS) cobrou a votação do projeto de lei que acaba com a banalização de sigilos em documentos no governo federal. “A farra dos sigilos de Lula precisa acabar”, pressiona o deputado.
Pergunta em Brasília
Quando acorda a Comissão de Ética Pública da Presidência da República?

