Bastidores do Poder
Lula retoma pressão por saída de Toffoli após revelações do Coaf
Estamos oficialmente numa ditadura”
PODER SEM PUDOR: O veneno do escorpião
Em 2001, no Congresso Internacional de La Sinistra, em Pesaro, Itália, o então candidato à Presidência Ciro Gomes entregou ao então correligionário e deputado Roberto Freire um discurso do professor Mangabeira Unger desancando o rival Lula. Pediu que Freire lesse no plenário. “É radicalismo imbecil, não se ataca um homem de esquerda desta forma, é uma irresponsabilidade! Esqueça isso!”, reagiu Freire. Num dos trechos, Unger afirmava que Lula tinha “o veneno do cinismo”. Anos depois, Unger aceitaria chefiar a Seplopra, sigla irônica para sua Secretaria de Assuntos de Longo Prazo, inutilidade extinta logo depois.
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Lula recoloca Toffoli na mira para acerto de contas
Lula (PT) deve retomar pressões pela saída de Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo fontes graduadas, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ter revelado a transferência de R$11,5 milhões, em operações triangulares, para a compra da parte da empresa familiar do ministro no resort de luxo Tayayá. Tudo foi concluído dias antes de sua decisão de anular a multa de R$10,3 bilhões devida pela J&F/JBS em razão de crimes de corrupção investigados na Lava Jato. Toffoli ainda não se manifestou sobre as novas revelações do Coaf.
O começo
É caso para a Procuradoria-Geral apurar, mas Toffoli e o chefe da PGR são amigos. Porém, “(Paulo) Gonet é temente a Lula”, ironiza um petista.
‘Traição’
Lula nomeou Toffoli em 2009 e se diz traído por seu voto independente no mensalão e no petrolão. Neste, Lula pegou 9 anos e 6 meses de prisão.
Salvação
Lula segue ansioso para o acerto de contas e raciocina que, se a cabeça de Toffoli rolar, Alexandre de Moraes pode escapar ileso do caso Master.
Articulação
Não há movimento formal no Congresso para deflagrar impeachment, mas a articulação com aliados ganhou novo fôlego.
Senado vota Messias sob ‘traição’ e corpo mole
Em meio a informações sobre “traição” de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que estaria trabalhando contra a indicação de Jorge Messias, o Planalto também reclama do pouco empenho do ministro Flávio Dino (STF), que não teria se mexido para apoiar o ex-colega de governo. Dino já passou por esse momento, quando foi o candidato ao STF de maior rejeição (dez votos contra) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, neste século, e teve desempenho modesto no plenário: 47 votos.
Treta antiga
O azedume entre Dino e o “Bessias” não é de hoje: o chefe da AGU esteve entre os cotados para a vaga de Rosa Weber, no fim de 2023.
Cadeira cara
A votação de Messias para o STF será nesta quarta (29), mas o Planalto jogou pesado para garantir a vitória, liberando R$12 bilhões em emendas.
Língua universal
Pelo sim, pelo não, Lula ordenou a liberação bilionária de emendas até para senador do PT, que supostamente votaria favorável. Só que não.
Lado definido
Como se quisessem deixar claro suas escolhas, PGR e STF continuam enfileirando políticos de oposição como réus, além dos principais rivais diretos de Lula para presidente. Ontem foi a vez de dois destacados deputados: Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Gustavo Gayer (PL-GO).
Incorrigível
O complacente senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não surpreende: até ele jura lealdade a Lula (PT) na votação para vaga no STF, ainda que tenha sido preterido e humilhado pela escolha de Jorge Messias.
Cabos eleitorais
No Supremo, a aprovação de Jorge Messias em votação no Senado, nesta quarta, cairá na conta dos ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. Eventual derrota, também.
Estratégia na minoria
Já que é secreta a votação no Senado da indicação de Jorge Messias ao STF, Marcos Pontes (PL-SP) defende que quem é contra compareça, mas não vote. Assim, seria possível identificar só quem votou favoravelmente.
Nada disso
Admirada senadora, Tereza Cristina (PP-MS) negou que tenha sido procurada para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). “Isso é pura especulação”, garantiu ela. Mas a torcida é grande.
Tunga histórica
A garfada que o governo federal dá no bolso do pagador de impostos bateu novo recorde em março deste ano. A tunga somou R$229,2 bilhões no mês. É o maior resultado da série histórica para um mês de março.
Sonoro
Em encontro com o pré-candidato a presidente Romeu Zema (Novo), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), disse que o “mineirês é sonoro e simpático, uma coisa boa, coisa bonita de se ouvir”.
Alerta
Segundo a agência Bloomberg, o Irã tem apenas entre 12 e 22 dias de espaço para estocar o petróleo que produz. Após esse período, não haverá como continuar a produção, que já caiu cerca de 70%.
Pensando bem…
…para o Supremo, o problema não é Messias, é Jair ou Jorge.