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O ESPÍRITO SANTO

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O conhecimento, a devoção e o amor ao Espírito Santo passou no cristianismo por fases. No início, o Espírito Santo é lembrado e invocado muitíssimas vezes. Basta ler os Atos dos Apóstolos e os primeiros capítulos do evangelho de São Lucas e nota-se claramente que, entre os cristãos, está constantemente presente a ação do Espírito Santo. Do momento da Encarnação até os primeiros tempos da Igreja, a figura do Espírito Santo é forte e atuante. As palavras de despedida de Jesus, prometendo o envio do Espírito Santo e falando da sua atuação como professor, defensor, advogado, consolador, guia e mestre, tiveram entre os membros da Igreja nascente uma recepção, aceitação e fé admiráveis.

Lucas descreve o anúncio do Anjo a Maria, ressaltando que tudo é obra do Espírito Santo. (Lc 1,35) Esse mesmo Lucas escreveu que Jesus era o Ungido do Espírito Santo e que, por Ele, era conduzido (Lc 4,1). Nos Atos, tudo é feito, tudo é dito por obra do Espírito Santo e os apóstolos se preocupam em estender os mãos sobre os novos crentes, para que recebam, como eles, o Espírito Santo. (8,17) O próprio Jesus, certa vez, soprou sobre eles, dizendo: "Recebei o Espírito Santo..." (Jo 20,22), antes mesmo que eles o recebessem em plenitude no dia de Pentecostes.

Com o passar dos séculos, porém, a fé dos teólogos cristãos começou a criar problemas a respeito do Espírito Santo. A Igreja, contudo, reagiu e sempre sustentou sua doutrina, isto é, o Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Portanto, o Espírito Santo é Deus, como o Pai e o Filho. E isso que pode parecer, à primeira vista, um absurdo, é, ao contrário, o grande e belo mistério trinitário.

Limitados como somos, não podemos compreendê-lo, mas até percebê-lo, se pensarmos que Deus é Amor. Na verdade, o amor, autêntico, verdadeiro e único, só pode existir quando existem pelo menos três pessoas, que são o Amante, o Amado e o próprio Amor, que liga o Amante ao Amado e o Amado ao Amante. Ora, como Deus é Amor, Ele tem que ter três pessoas, que são o Pai ( o Amante eterno), o Filho ( o eternamente Amado) e o Espírito Santo (o eterno Amor, que liga o eterno Amante ao eterno Amado e o eterno Amado ao eterno Amante). Assim Deus, como Amor, é trino, e não poderia ser diferente pelo raciocínio que vimos antes; porém, na essência divina, é Uno, porque Deus como infinito só pode ser Um.

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Tudo, pois, que existe é obra de um Deus só, todavia nós atribuímos a cada Pessoa divina algumas atividades, usando nosso linguajar antropomórfico. Assim, dizemos que a criação é obra do Pai, quando toda ela é obra de Deus, isto é, das três Pessoas divinas. Será que é por isso que o texto hebraico da Bíblia, no início do livro do Gênese, usa a palavra Deus no plural? Por tudo isso Jesus mandou os apóstolos batizarem em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Atribuímos ao Espírito toda a obra da continuação da redenção operada por Cristo. Assim, toda a graça nos vem por Ele. Falamos de dons e frutos do Espírito Santo e isso é verdade, mas não significa que toda sua ação se resuma nisso. Portanto, adoremos, invoquemos e amemos o Espírito Santo, o divino fogo abrasador!

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