Coluna Religião
Padre dá assistência em hospitais durante a pandemia
Coordenador da Pastoral da Saúde, Cícero Lenisvaldo está atuando diretamente com os profissionais da Saúde e relata experiência
Já se passaram quatro meses desde o primeiro caso de Covid-19 em Maceió. De lá para cá, os números aumentaram, pessoas se recuperaram e, infelizmente, vidas se foram. Em um momento como esse, a Igreja se tornou ainda mais presente nos hospitais, sendo a presença de Deus naquele meio. Padre Cícero Lenisvaldo, coordenador da Pastoral da Saúde na Arquidiocese de Maceió, falou sobre os dias de esperança e luta nesses locais.
“Quando começaram os primeiros casos, por recomendação da Pastoral da Saúde do Regional Nordeste 2, suspendemos as visitas dos agentes da Pastoral da Saúde nos hospitais e nas casas. Alguns, depois, procuraram manter o contato com os enfermos através das redes sociais. Como não sabíamos ainda lidar com esta nova situação, recebemos a recomendação do hospital de evitar o contato com os enfermos”, relatou, no começo da pandemia.
O sacerdote disse que dentro do seu coração havia uma inquietação por saber que não podia dar assistência espiritual aos enfermos com Covid-19. “Foi quando surgiu a ideia de fazer a visita com o Santíssimo Sacramento a estes setores do hospital. Para isso, consultei ao arcebispo (Dom Muniz) e verificamos com a gerência de riscos dos hospitais como deveríamos proceder”.
Com os devidos equipamentos de proteção, o padre fez a primeira visita com o Santíssimo Sacramento na Santa Casa, ocasião que causou uma boa reação nos enfermos, profissionais de saúde e no povo. A iniciativa fez com que outros hospitais também permitissem a presença da Igreja.
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O padre recebeu a ajuda de outros irmãos no sacerdócio e, a cada semana, eles visitam, devidamente equipados com o material de proteção, os enfermos da Covid-19, levando os Sacramentos e celebrando a missa com os colaboradores dos hospitais. A pastoral também conta com um grupo de leigos que já atua profissionalmente nestes hospitais e que se disponibilizou a ajudar; a ideia é que eles possam levar a Comunhão aos enfermos que solicitarem nestes ambientes.
“Agora posso fazer o que antes não conseguia e que me inquietava muito: levar os Sacramentos a estes enfermos. Sinto por não ter conseguido chegar até o padre Nilton e a outros enfermos que as famílias solicitaram para levar a unção. Naquele momento ainda era recomendado que não entrássemos. Lembro que cheguei somente até a porta da UTI e dei a absolvição dos pecados, como recomendado pela Santa Sé”, relatou emocionado.
Padres e leigos não podem fica muito tempo com os enfermos, mas ele garantiu que, mesmo assim, é possível ver a alegria no olhar dos pacientes e profissionais. “Ainda que seja uma visita breve, deixa neles a certeza de que não estão sozinhos, de que o Senhor olha para eles. Vejo que se emocionam muito. Sentem-se confortados pela presença do sacerdote”, encerrou.
Com os profissionais de saúde, o serviço consiste em rezar com eles e atender aos que os procuram para conversar.