Coluna Religião
AD no Pinheiro: último culto após 73 anos
Outras sete congregações serão desapropriadas por causa da instabilidade no solo da região, que atingiu vários imóveis


Após 73 anos de história, a Assembleia de Deus no bairro do Pinheiro, em Maceió, celebrou seu último culto, na noite de domingo (25). A congregação, que desde janeiro de 2021 estava sob os cuidados do pastor Gerson Barbosa, será inativada nos próximos dias, em razão da instabilidade no solo decorrente da extração mineral na região, que atingiu vários imóveis.
O pastor-presidente José Orisvaldo Nunes de Lima conta que a igreja do Pinheiro fez parte da sua jornada ministerial e afirma que o fechamento do templo não abalará a fé dos irmãos locais, que já têm procurado outras igrejas para congregar. “Esta foi a primeira igreja que eu dirigi, ainda nos anos 1980. Foi a igreja onde apresentei ao Senhor meu segundo filho, e tenho muito apreço até hoje. Aqui Deus curou, salvou e batizou. O templo será derrubado, mas o que Deus fez aqui continuará vivo no coração de cada crente e se espalhará por vários bairros de Maceió”, disse o presidente.
Segundo a administração da Igreja, a congregação do Pinheiro não será a única a fechar as portas. No total, oito templos da Assembleia de Deus serão desativados em Maceió: Pinheiro, Mutange, Sub do Mutange, Bebedouro, Sub de Bebedouro, Sub do Pinheiro, Vale Mundaú e Jardim das Acácias.
O reverendo lamentou o impacto que a mudança causou na vida não só dos crentes, mas de toda a população atingida pela tragédia. Sobre a desapropriação das igrejas, ele reconheceu que tudo está sob o controle de Deus e afirmou que a AD está trabalhando com prioridade na construção de novas igrejas por toda Maceió. “Perdemos oito templos devido a este grave problema. Porém, estamos construindo outras 19 igrejas somente na capital. A obra de Deus não para, ela continuará avançado em Maceió e em todo o Estado”.
No dia 3 de março de 2018, a cidade de Maceió foi surpreendida por um tremor de terra registrado em vários bairros da capital, incluindo Pinheiro, Farol, Bebedouro, Mutange e Bom Parto. O estremecimento chegou a 2.5 na escala Richter e causou desespero entre os moradores, que esvaziaram prédios e casas.
Asfaltos cederam e rachaduras surgiram nas paredes dos imóveis. Com o passar dos meses, a instabilidade do solo e a incerteza do que estaria por vir levou moradores a procurar um lugar mais seguro para viver. Mais de dois anos depois, foi reconhecida a necessidade de realocação de mais de 8 mil imóveis nos quatro bairros e centenas de famílias tiveram que deixar suas casas.
A causa do tremor no Pinheiro e região foi motivo de estudo durante meses, até que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) concluiu que a extração de sal-gema executada pela Braskem provocou o problema. Com isso, a empresa paralisou as atividades em Alagoas e, em dezembro de 2019, iniciou um programa voluntário de indenização aos proprietários de imóveis atingidos pelas rachaduras.