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Coluna Religião

TERESINHA E JOÃO DA CRUZ

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Por Mons. Pedro Teixeira Cavalcante/Teólogo | Edição do dia 15/05/2021 - Matéria atualizada em 15/05/2021 às 04h00

Santa Teresinha era uma carmelita descalça, portanto discípula fiel de São João da Cruz. Ela começou a conhecer São João da Cruz quando ainda estava nos Buissonnets. No Carmelo viveu na atmosfera do santo reformador, que criou toda uma espiritualidade carmelitana. Irmã Genoveva depôs no Processo Apostólico: “No Carmelo ela aprendeu a gostar das obras de São João da Cruz, que lhe agradaram particularmente” (PA. 263-264)

Nos seus escritos, cento e seis vezes, a Santa se refere, direta ou indiretamente, a São da Cruz e muitos dos seus pensamentos ressabem a espiritualidade joanina (Cf CA. 27). A própria Santa confessa a influência forte que recebeu do seu pai reformador: “Ah! que luzes hauri nas obras de nosso Pai São João da Cruz!... Com a idade de 17 a 18 anos, não tinha outro alimento espiritual, mas, mais tarde, todos os livros nos deixaram na aridez.” (MA 83r)

Eis um apanhado das vezes em que a Santa se refere, nas suas obras, a São João da Cruz: cinco vezes à Subida do Monte Carmelo; duas vezes à Noite Escura; quarenta e sete vezes ao Cântico espiritual; dezesseis vezes à Viva Chama; cinco vezes aos Poemas; treze vezes às Máximas; cinco vezes à Carta à Madre Eleonora. Para uma visão completa das citações de São João da Cruz nos escritos teresianos, basta consultar cada volume da nova edição do centenário.

Todavia, esse gosto e atração de Teresinha pelas obras do grande Mestre da mística cristã não foi visto como natural no Carmelo de Lisieux. Madre Inês nos esclarece: Um dia, durante seu noviciado, Irmã Teresa do Menino Jesus falou no recreio da doutrina de São João da Cruz com uma antiga madre, que fora priora no Carmelo de Coutances (Madre Coração de Jesus). Esta me disse em seguida com admiração: É possível que uma menina de dezessete anos compreenda essas coisas e discorra sobre elas desse modo! É admirável! Não me lembro de coisa igual!. Madre Maria do Anjos também ficou admirada com esse interesse de Teresinha pela Pai do Carmelo (PA.350).

Não é de estranhar, pois, que a doutrina teresiana da subida da montanha do amor seja a mesma que a de São João da Cruz, o que as duas se diferenciam é, como veremos, na maneira de apresentá-las e na relevância dos termos nessa apresentação. Nos Carmelos havia a tradição de cada religiosa tirar para si um pensamento de São João da Cruz, no dia de sua festa.

Em 1891, menos de um mês antes do tricentenário da morte de São João da Cruz, Santa Teresinha tirou o seguinte: Minha filha, eu lhe deixo meu despojamento interior. A alma, que quer possuir Deus inteiramente, deve renunciar a tudo para se dar toda inteira a esse grande Deus.

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