Artigo
O NADA EM SANTA TERESINHA
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Se São João da Cruz insiste no nada para a subida do monte da perfeição, Santa Teresinha insiste no tudo para a subida da montanha do amor. Todavia, ambos chegam à mesma conclusão, pois para João é preciso ficar sem nada para fazer a referida subida, portanto é necessário deixar tudo; para Teresinha é preciso deixar tudo na mesma subida, portanto é necessário ficar sem nada.
Em suma, ambos insistem na necessidade do nada, deixando tudo. O que diferencia os dois santos é a maneira de falar ou na insistência das palavras, pois João insiste no termo nada, enquanto Teresinha gosta muito é da palavra tudo. Mas, toda a doutrina de Teresinha se fundamenta na pequenez, no nada da criatura, que precisa tudo de Deus.
Na verdade, nós não somos nada e Deus é tudo (CT 109), por isso se não estamos com Deus, não somos nada. A mensagem teresiana se baseia no amor, com efeito o amor é a base, a fonte, o caminho, porque Deus é amor. Mas, segundo santa Teresinha é próprio do amor se abaixar. Deus, por amor, abaixou-se até o homem e o elevou até ele.(MB 3r-3v)
Nós também, por amor, temos de reconhecer nosso nada, para, sustentados e elevados por Deus, subirmos até ele. Assim, temos um amor sanfonado, que se abaixa e se eleva, fazendo uma sinfonia divina. Aliás, as nossas fraquezas, as nossas quedas provam o nosso nada e exigem a força do Tudo, que é Deus. Na verdade, Deus detesta os orgulhosos, por isso ama o reconhecimento do nosso nada.
Eis por que Santa Teresinha queria ser reduzida a nada, perdendo até mesmo o direito a seus desejos (CT 103). Irmã Maria da Trindade afirmou que o desejo de ser tida por nada era uma ideia constante em Santa Teresinha. Podemos afirmar que, toda a dialética do Pequeno Caminho se reduz a reconhecer nosso nada e entregarmo-nos totalmente nas mãos de Deus, abandonando-nos a Ele (CT 226). Assim, nossa Santa ficou feliz por descobrir que era apenas “um pequeno nada”.
Que diferença entre Teresinha e Sartre, pois a dialética teresiana leva-nos à esperança de um “homo viator” cristão, enquanto que Sartre leva-nos ao desespero!