Artigo
NOVAS IMAGENS DA IGREJA
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Com Paulo (1 Co 6,15s; Ef 1,22s; Col 1,24) e de acordo com a Tradição (Clemente de Roma, Orígenes, Augustinho, Bonifácio VIII), a Igreja se chama também de “corpo místico de Cristo”.
Pela importância da doutrina do Corpo místico de Cristo para a consciência que ela tem de si mesma, a Igreja de nossos tempos tem uma consciência mais aguda do laço da Igreja com Cristo e da solidariedade de seus membros entre eles.
Quanto à relação com Cristo, pode-se mesmo dizer que a Igreja é uma realidade de Cristo (1 Co 12,13): ela é a modalidade sob a qual Cristo, após sua “elevação”, sobrevive, pelo envio de seu Espírito (v. 1 Co 10,3s; Ef 2,17s), nos homens que, por sua morte, ele atraiu a si para formar seu “corpo”, sua “plenitude” (Ef 4,12s). Eles se tornam conformes a Ele e não formam senão um “em Cristo” (Ga 3,28).
Nós chamamos essa forma de sobrevivência “mística”, não para minimizar a realidade, mas para distingui-la dos outros modos possíveis de ser “corpo” (por exemplo: na unidade biológica de uma substância ).
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A Igreja é, pois, uma unidade viva, que ultrapassa o domínio puramente institucional: para ela, Cristo não é somente seu fundador, mas o fundamento de sua vida, sempre presente nela.
O laço de todos os fiéis entre eles (comunhão dos santos), que representa a imagem do corpo místico e que se manifesta na comida de um mesmo pão (1 Co 10, 17,21), se traduz pela consciência de uma solidariedade, que liga os membros “existencialmente em Cristo” e que constitui igualmente o fundamento de múltiplas exigências litúrgicas, ascéticas, pastorais, ecumênicas e sociais.
Dento dessa imagem do Corpo místico, a Igreja toma expressões da mística profética dos “esponsais”: Deus se liga à humanidade redimida na ternura e indissolubilidade do amor.
Só aparentemente essa imagem é inferior à do Corpo místico, pois é justamente o amor que faz o casal um carne (Gn 2,24) e é esse corpo único que salvaguarda a realidade pessoal própria a cada um de seus membros.
As duas imagens, portanto, são reunidas no Novo Testamento (Ef 5, 23-32; Após. 21,9s), elas se completam e mantêm juntas o equilíbrio entre o acreditar respeitoso e a intimidade.