Artigo
Abraão, homem de Deus
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A história de Abraão é longa, variada e bonita. É longa, se tomarmos os dados da Bíblia e de livros apócrifos. É variada, se tomarmos os dados de várias fontes biográficas. É bonita, se a examinarmos sob o aspecto da religiosidade de Abraão. A história de Abraão é uma epopeia humano-divina. Aqui consideramos só o lado religioso e nos restringimos a alguns fatos que mostram a grandeza do espírito religioso de Abraão.
A primeira passagem na vida de Abraão digna de meditação é o seu chamado por Deus. A Bíblia nos diz que: “O Senhor disse a Abrão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar.” (Gn 12,1). Para um homem rico ouvir isso de Deus, mesmo com uma promessa de possuir muitas terras, não é fácil a aceitação e a disposição em atender à ordem divina. Portanto, é de admirar como Abraão obedeceu à voz de Deus sem discutir: “Abrão partiu como o Senhor lhe tinha dito, e Ló foi com ele. Abrão tinha 75 anos, quando partiu de Harã. Tomou Sarai, sua mulher, e Ló, filho de seu irmão, assim como todos os bens que possuíam e os escravos que tinham adquirido em Harã, e partiram para a terra de Canaã.” (Gn 12,4-5) A obediência de Abraão é admirável! Como nesta passagem, Abraão estará sempre disposto a fazer a vontade Deus.
A segunda passagem bíblica, que nos mostra a grandeza da personalidade e da espiritualidade do grande patriarca é a divisão de terras com seu sobrinho Ló. Tanto Abraão como Ló tinham grandes rebanhos e os pastores desses rebanhos começaram a se desentender. Para evitar problemas maiores, Abraão, mesmo tendo o privilégio de ser o tio e de ser o mais velho, pediu a Ló que escolhesse as terras que desejava e fosse para elas. Ló escolheu as melhores terras e Abraão concordou, conseguindo assim a paz entre todos.
Uma terceira passagem maravilhosa na vida do santo patriarca aconteceu quando Deus lhe pediu o sacrifício do seu filho único, que ele muito amava: “Deus disse: “Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar.” (Gn 22,2). Que pedido estranho e doloroso: um pai matar seu próprio filho único, que ele tanto ama! Todavia é um pedido de Deus e o santo Abraão, mesmo com o coração ferido, organizou tudo, tomou o filho, arrumou o altar do sacrifício e preparou-se para atender ao pedido divino. Nesse momento, um anjo do Senhor apareceu e susteve a ação de Abraão. Deus já estava satisfeito com a obediência do seu santo homem ao seu querer divino.
Quantas mensagens e lições da vida de Abraão, homem santo e de Deus e tudo se resume na obediência firme, decidida e corajosa à vontade divina.
